
Flotilha
REUTERS/Ammar Awad
Só um barco dos 47 da flotilha que tentava atracar em Gaza ficou em alto mar, por avaria técnica. Os outros foram apreendidos da noite de ontem até o amanhecer desta quinta-feira, Yom Kippur — o Dia do Perdão em que tudo fica paralisado em Israel.
Os cerca de 500 tripulantes da flotilha Sumud (Persistência, em árabe) foram levados para o porto israelense de Ashdod, de onde serão deportados. Os primeiros foram saudados por cinco mísseis disparados de Gaza, quatro dos quais interceptados — e um caído em área aberta.
Foi a terceira tentativa frustrada da Flotilha Global de romper o bloqueio israelense à Gaza, mantido desde 2007, quando o Hamas expulsou o Autoridade Palestina, que mantém sua sede em Ramallah, na Cisjordânia. O bloqueio é para impedir o contrabando de armamento.
Israel advertiu o que chama de “Hamas-Sumud Flotilha” que mudasse o curso e deixasse a ajuda humanitária simbólica que transportava aos palestinos de Gaza em um porto israelense, com a promessa de que seria entregue. Depois, cortou a comunicação de todos os barcos. E, então, os abordou, “sem violência”, como prometeu o Ministério de Relações Exteriores à Itália e Grécia.
Os passageiros jogaram seus celulares ao mar. Os primeiros barcos abordados foram o Alma, Sirius e Adara, a 113 km de Gaza (70 milhas náuticas). A ativista sueca Greta Thunberg, a política francesa Marie Mesmeur, a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau; a neta de Nelson Mandela, Mandla Mandela; vários deputados europeus e 18 brasileiros estavam entre os primeiros detidos, embora sem a divulgação de uma lista oficial.
Um estadunidense a bordo do barco Ohwayla, Greg Sotker, disse que os fuzileiros navais israelenses usaram canhões de água em alguns casos, mas que ninguém ficou ferido. Seu barco foi cercado por seis navios de guerra que transmitiam o apelo para que desligassem os motores.
Se a tentativa de paz do presidente Donald Trump fracassar, nova flotilha Sumud poderá zarpar para Gaza. Seu objetivo não é tanto furar o bloqueio naval, mas divulgar a causa palestina. Logo depois da interceptação israelense desta quinta-feira, vários protestos irromperam na Europa.
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