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Forças policiais no Brasil estão brincando em serviço

Eduardo Oinegue comenta sobre os problemas de segurança pública no Brasil

Por Redação
REDAÇÃO

13/01/2026 • 23:14 • Atualizado em 13/01/2026 • 23:14

Eduardo Oinegue
Forças policiais no Brasil estão brincando em serviço

Forças policiais no Brasil estão brincando em serviço

Reprodução/Band

Há dez dias, o exército americano invadiu a Venezuela atrás de Nicolás Maduro. Uma operação que deixou perto de 100 mortos, nenhuma baixa americana, e o exército saiu dali com o ditador algemado.

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Dois meses antes, a polícia do Rio invadiu o Complexo do Alemão e da Penha atrás do traficante Doca, chefão do Comando Vermelho. Uma operação que deixou 117 criminosos mortos, além de quatro baixas policiais e um delegado sem perna. E saiu dali sem o traficante Doca, que fugiu.

Aí alguém vai dizer: 'Olha, não dá para comparar as coisas. Maduro foi capturado pela maior máquina de guerra do mundo'. Só que a maior máquina de guerra do mundo invadiu um país, invadiu a capital do país, não a favela; foi atrás de um presidente, não de um traficante.

De forma que, com todos os senões, a análise das duas operações deixam um ensinamento: força militar que se prepara tem mais chance de atingir o seu objetivo. E o inverso também é verdadeiro: a chance cai muito e, em alguns casos, desaparece se a preparação é insuficiente.

É uma reflexão que passa pelo Rio como exemplo, mas ela não é estadual, ela é nacional. O Brasil tem um mega desafio no campo da segurança pública e parece que está brincando em serviço. Brincando porque enfrenta o crime com uma força policial pulverizada e desordenada, sendo que a experiência mundial recomenda um combate coordenado. Coordenado e com comando claro, que a gente não tem.

Brincando porque os políticos acham que um pedaço de papel vai proporcionar essa coordenação necessária só porque deram ao pedaço de papel o nome de Proposta de Emenda Constitucional da Segurança. Não vai. O problema da segurança não é falta de legislação, como também não é falta de recursos, também não é falta de efetivo; é um problema institucional.

Os responsáveis pelas forças policiais, no caso o governo federal e os governadores estaduais, resistem a agir de maneira coordenada porque isso representa perda de poder e, de alguma forma, submissão. E por causa disso a gente não tem estruturas de inteligência ou bancos de dados operando de maneira sistematizada, nem uma troca coordenada de informações.

Quando essas estruturas se organizam, o combate funciona bem. Olha a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado contra as cadeias de combustível que sonegavam e lavavam dinheiro ligadas ao PCC. O trabalho foi brilhante, resultado de uma operação envolvendo Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal, Receita Federal, Receita Paulista, Polícia Federal e polícias de oito estados. Usinas, distribuidoras, postos, fintechs, fundos de investimento... o ataque ao crime foi geral.

Imagina uma estrutura centralizada operando dia e noite contra o crime, não por operação. Infelizmente, essa não é a nossa realidade.

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