
Navio russo
REUTERS/Manon Cruz
Em uma operação de alta precisão no Mar Mediterrâneo, a Marinha da França interceptou o petroleiro Grinch sob suspeita de transporte ilegal de petróleo russo. O capitão da embarcação foi detido e entregue às autoridades judiciais neste domingo (25), onde permanece sob custódia para interrogatório.
A interceptação ocorreu no início desta semana, mas os detalhes foram confirmados apenas hoje pelos militares franceses. Vídeos divulgados pelas Forças Armadas mostram equipes da Marinha realizando um embarque tático a partir de um helicóptero enquanto o navio navegava por águas internacionais.
O petroleiro Grinch, que operava com uma tripulação de origem indiana, havia partido de Murmansk, um porto estratégico no noroeste da Rússia. A embarcação é apontada como um dos braços da "frota sombra" utilizada pelo Kremlin para contornar as sanções internacionais impostas devido à invasão da Ucrânia.
O que é a "Frota Sombra"?
Autoridades de inteligência estimam que a Rússia opera atualmente uma frota de mais de 400 navios para evadir restrições econômicas. As características comuns dessas embarcações incluem:
Idade Avançada: Navios antigos que muitas vezes operam com padrões de segurança reduzidos.
Propriedade Opaca: Registros em nome de empresas de fachada com sedes em países que não aderiram às sanções.
Bandeiras de Conveniência: Navegação sob bandeiras de nações neutras para evitar inspeções rigorosas.
Escala diplomática
Esta não é a primeira vez que a França atua diretamente contra a logística russa. Em setembro do ano passado, uma operação similar na costa atlântica francesa já havia causado atritos diplomáticos. Na ocasião, o presidente russo Vladimir Putin classificou a interceptação francesa como um "ato de pirataria".
Apesar das críticas russas, o presidente Emmanuel Macron reiterou que a França e seus aliados continuarão a reprimir práticas de evasão que financiam o esforço de guerra. A detenção do capitão do Grinch é vista como um endurecimento da postura europeia, sinalizando que a responsabilidade legal pode começar a recair não apenas sobre as empresas proprietárias, mas também sobre o comando operacional dos navios.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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