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Furto na Unicamp: suspeita é sócia de empresa que produz vírus transgênicos

Professora da universidade foi presa em flagrante e liberada após audiência; PF investiga o caso

Matheus Christov
MATHEUS CHRISTOV

26/03/2026 • 18:22 • Atualizado em 26/03/2026 • 18:22

A pesquisadora suspeita de furtar amostras de material biológico de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é sócia de uma empresa que atua na produção de vírus transgênicos. De acordo com registros da Receita Federal obtidos pela reportagem, a Agrotrix Biotech Solutions foi aberta em 14 de maio de 2025 e segue ativa. A empresa tem sede no prédio da Agência de Inovação da universidade, em Campinas (SP).

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A companhia tem como sócios a professora Soledad Palameta Miller, investigada no caso, e o marido dela, o médico veterinário Michael Edward Miller. Nas redes sociais, a empresa divulga a produção de vetores virais, incluindo vírus transgênicos para pesquisas e desenvolvimento de terapias genéticas e vacinas.

“Para sua pesquisa ou inovação em terapias genéticas ou vacinas, envie-nos seu transgene, que produzimos seu vírus”, disse a empresa em uma publicação de fevereiro deste ano.

A Polícia Federal investiga o furto do material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da universidade. Imagens exclusivas da TV Band Campinas mostram o interior do local onde o furto teria acontecido.

Como mostrou o Portal Band, entre os itens levados estão amostras classificadas em Nível de Biossegurança 3 (NB-3), utilizadas no estudo de microrganismos com alto potencial de transmissão.

Soledad Miller foi presa em flagrante na última segunda-feira (23) e liberada no dia seguinte, após audiência de custódia. Segundo a investigação, o material teria sido movimentado sem autorização e sem o cumprimento dos protocolos exigidos. Os itens apreendidos foram encaminhados para análise do Ministério da Agricultura e Pecuária, com apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em nota, a Unicamp informou que instaurou sindicância para apurar o caso e que colabora com as autoridades.

“A Universidade mantém-se à disposição das autoridades competentes para auxiliá-las no esclarecimento das circunstâncias em que os fatos ocorreram. Os detalhes do caso serão preservados para não comprometer o andamento das investigações”, afirma a reitoria da universidade.

Procurada, a defesa da pesquisadora informou que não se manifestará publicamente devido ao sigilo judicial.

Veja abaixo a íntegra da nota da Polícia Federal:

“A Polícia Federal prendeu em flagrante, nesta segunda-feira (23/3), uma mulher suspeita de furtar material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A prisão ocorreu no âmbito de inquérito policial instaurado após comunicação da própria instituição sobre o desaparecimento do material.

Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas, na cidade. O material subtraído foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. As ações contaram ainda com o apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos seguintes crimes: furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias dos fatos.”