O agente da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo Elisson de Assis e sua equipe já tinham sido afastados das ruas, horas depois de a primeira reportagem do Jornal da Band sobre a milícia que cobrava taxas de moradores e comerciantes no Centro de São Paulo para manter a área livre usuários de drogas ir ao ar, na segunda-feira (5). Em mensagens de áudio, o guarda civil cobrava R$ 500 para dar segurança a um comerciante que queria montar um negócio na região da Cracolândia.
Agora, o chefe do esquema deve ter a prisão preventiva pedida pelo Ministério Público pelos crimes de extorsão e constituição de milícia privada.
Em uma imagem gravada na semana passada, Elisson de Assis, que estava de folga no serviço na GCM, após uma conversa por telefone, ele esperava para se encontrar pessoalmente com quem seria um comerciante interessado em abrir uma loja no Centro.
“Fica o que eu te falei: fica R$ 500, mas a gente pode sentar e tomar um café, vamos conversar. Eu tô pra ajudar, não tô pra extorquir ninguém. Porque eu poderia muito bem, nesse momento, em que o Centro de São Paulo está contaminado, e meu perímetro não, cobrar absurdo.”
O encontro acabou desmarcado. Mas nossa equipe acompanhou os passos de Elisson a distância. O assunto seria o valor cobrado pela proteção.
Desde o início da semana, o Jornal da Band vem revelando como funcionava o esquema coordenado por Elisson. Usando a força da IOPE, a tropa de elite da GCM, ele remanejava o fluxo da Cracolândia de uma rua para outra e coagia moradores e comerciantes da região liberada a pagarem uma taxa para manter a área livre de usuários de drogas.
“Nós somos uma família. Se alguém mexer comigo, no mínimo 18 viaturas lá cola (...) nós somos a Rota da GCM, irmão.”
Logo depois de a primeira reportagem ir ao ar, Elisson de Assis e seis integrantes de equipe dele foram afastados das ruas. Agora, a Secretaria de Segurança Urbana da Prefeitura enviou ao Ministério Público um documento com um parecer sobre quais crimes foram cometidos pelos agentes e ressaltando a importância de que Assis fique detido durante as investigações.
Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão Ao Crime Organizado de São Paulo, do Ministério Público, estão com a denúncia crime da Prefeitura em mãos e já começaram a analisar o caso. No entendimento deles, Elisson de Assis cometeu crimes de extorsão e constituição de milícia privada. A prisão preventiva do guarda deverá ser pedida à Justiça de São Paulo nos próximos dias.
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