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Ghosting: por que o sumiço virou tendência nas relações digitais?

Buscas por “como ignorar alguém” atingem recorde histórico, segundo dados da Sala Digital

Alessandra Petraglia
ALESSANDRA PETRAGLIA

13/11/2025 • 16:38 • Atualizado em 13/11/2025 • 16:38

O que é o ghosting?

O que é o ghosting?

Pexels

Você já ficou esperando uma resposta que nunca chegou? Mandou mensagem, visualizou o “online” e… nada. O silêncio virou resposta. Isso tem nome, e vem do inglês: ghosting.

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Em termos simples, ghosting é quando alguém simplesmente desaparece de uma relação. Sem aviso, sem explicação e, muitas vezes, sem deixar rastro. Pode acontecer num namoro, numa amizade e até no ambiente de trabalho.

O sumiço que virou tendência digital

De acordo com a Sala Digital, o interesse de busca por informações sobre como “ignorar uma pessoa” no Google nunca foi tão alto. As pesquisas atingiram, neste ano, o maior patamar da série histórica, com um crescimento de 64% em relação ao ano anterior. O que mostra que o problema é um fenômeno atual e cada vez mais recorrente.

Por que o ghosting acontece?

Sumir parece mais fácil do que encarar uma conversa difícil. Para muitos, o ghosting é uma maneira de evitar desconforto e confronto. Afinal, é mais simples apertar “bloquear” do que explicar o motivo do afastamento.

Outros desaparecem por falta de habilidade emocional ou por medo de magoar alguém. Há também quem utilize o sumiço como estratégia de autoproteção, especialmente quando sente que a relação pode trazer riscos, seja de agressividade, assédio ou retaliação.

Especialistas lembram que o ghosting também pode estar ligado a estilos de apego evitativo, quando a pessoa lida mal com intimidade e prefere se afastar a se envolver.

Uma era de conexões frágeis

O problema é também o retrato de uma cultura de laços rápidos e descartáveis, em que as relações se constroem (e se rompem) na velocidade de um clique. Como define o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos tempos de “amor líquido”: tudo flui, nada se solidifica. Aplicativos de paquera, redes sociais e até o WhatsApp aproximam, mas também facilitam o desaparecimento. O mesmo ambiente que une, desconecta.

Para quem sofre o ghosting, o silêncio dói. A falta de explicações pode causar ansiedade, dúvidas, sentimento de rejeição e queda na autoestima. É como se a pessoa ficasse presa num modo avião emocional: sem sinal, sem respostas e sem saber se o problema foi uma falha de conexão… ou se o outro simplesmente desligou.

Psicólogos descrevem o ghosting como uma forma passivo-agressiva de rejeição, que interrompe o fechamento natural de uma relação. E, embora quem some possa sentir alívio no começo, não é incomum que enfrente culpa e arrependimento depois.

Em busca de relações mais reais

Entender o problema é o primeiro passo para evitá-lo. A Geração Z, por exemplo, parece mais consciente disso: pesquisas mostram que jovens de 18 a 25 anos têm 32% menos probabilidade de praticar ghosting do que gerações anteriores. Eles valorizam mais a transparência e a autenticidade.

Num mundo em que tudo acontece pela tela, desaparecer pode até parecer o caminho mais fácil. Mas é justamente quando escolhemos conversar, explicar e encerrar ciclos com respeito que fortalecemos os vínculos (e lembramos que, mesmo na era digital, humanidade não é opcional!).

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