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Global worker: salário em dólar, mas e os direitos? Veja vantagens e riscos

Brasileiros apostam na prestação de serviço para empresas estrangeiras, mas sem sair do país, com a vantagem de ganhar em dólar, frente ao real desvalorizado, e não deixar a família

Édrian Santos
ÉDRIAN SANTOS

08/08/2025 • 16:44 • Atualizado em 08/08/2025 • 16:44

Empresas estrangeiras contratam os chamados global worker

Empresas estrangeiras contratam os chamados global worker

Vlada Karpovich/Pexels

Já pensou em trabalhar no Brasil, mas receber em dólar, euro, libra esterlina ou qualquer outra moeda cuja empresa estrangeira procura as qualidades de um profissional que resida, por exemplo, em Xique-Xique, Bahia, sem ter a obrigação de sair de onde nasceu e cresceu? É possível! Essa mão de obra existe, está espalhada pelo mundo e se chama “global workers”.

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Basicamente, um global worker é aquele profissional que tem a liberdade de trabalhar, remotamente, para qualquer empresa do mundo, com a vantagem de ter a flexibilidade de não deixar a cidade, o país e/ou a família. Além disso, o trabalhador ainda tem a oportunidade de ser remunerado com uma moeda mais competitiva que o real, como o dólar e euro, segundo analisou o escritor Gustavo Sèngès, especialista em carreiras globais, em entrevista ao Band.com.br.

“Trabalhar de forma remota, com equipes espalhadas pelo mundo, exige responsabilidade e capacidade de auto-organização do tempo e da rotina. O maior ganho está em romper barreiras, permitindo que o profissional ofereça seu trabalho para empresas em qualquer lugar do mundo, sem depender de empregos tradicionais em sua própria cidade”, disse o escritor.

Férias, FGTS e 13º salário?

Apesar dos benefícios, o candidato precisa se atentar para possíveis riscos, como a questão da instabilidade financeira, principalmente se os contratos forem temporários e curtos. Além disso, folgas e férias remuneradas, 13º salário e FGTS, direito dos trabalhadores formais no Brasil, podem não ser cobertos pela empresa estrangeira, conforme explicou a advogada Márcia Cleide Ribeiro, especialista em direito previdenciário e trabalhista.

“A autonomia e os ganhos em moeda forte vêm acompanhados de responsabilidades adicionais e de um planejamento jurídico e financeiro mais rigoroso. Sem o vínculo com a CLT, o trabalhador não conta com benefícios típicos do Brasil, como seguro-desemprego, estabilidade ou outras garantias previstas em nossa legislação”, ponderou a advogada.

Dicas para assinar um bom contrato

Na entrevista ao Band.com.br, a especialista ainda deu dicas de como esse profissional global pode lidar melhor com as relações trabalhistas e garantir um contrato que o beneficie mais:

  • descrição clara das condições de trabalho, incluindo funções, jornada, local de prestação de serviço, forma e periodicidade de pagamento, moeda, reajustes, benefícios e, principalmente, regras sobre rescisão;
  • estabelecer, com precisão, o prazo de aviso-prévio, eventuais multas e/ou indenizações e se há possibilidade de encerramento unilateral imediato;
  • prever cláusulas de propriedade intelectual e confidencialidade; e
  • priorizar a orientação de um advogado, antes de assinar qualquer contrato do tipo.

Perfil do brasileiro global worker

Uma plataforma especializada em intermediar pagamentos estrangeiros para quem mora no Brasil, a fintech Husky, fez um levantamento exclusivo que mostra o perfil do brasileiro que trabalha on-line para contratantes internacionais. De início, o relatório constatou que 77% dos entrevistados não deixaram o país, apesar da liberdade de poderem estar em qualquer lugar do mundo.

Atenção para algo essencial para quem busca esse tipo de trabalho! Ter inglês fluente ou avançado é importante, pois 99% desses profissionais dominam o idioma. Então, a capacitação linguística é tão necessária quanto a da formação exigida para o desempenho da vaga pleiteada.

Perfil das contratantes internacionais

Entre as áreas que mais contratam, foco no setor de tecnologia. A pesquisa indica que 63% das vagas internacionais ocupadas por brasileiros são dessa área, mas portas seguem abertas para muitas profissões.

“O brasileiro está entre os profissionais mais disputados por essas empresas, pela criatividade, bom relacionamento interpessoal e ainda favorecidos pelo fuso horário e câmbio desvalorizado, o que beneficia tanto empresas quanto empregados [...]. Há sempre muitas oportunidades para áreas de tecnologia, design e marketing, mas, também, para funções que não exigem formação específica, como gestão, atendimento ao cliente e vendas”, salientou o especialista.

Quanto ao ganho financeiro, o destaque vai para aqueles que acreditam que, por trabalharem para uma empresa estrangeira, poderão ter uma remuneração maior (35,7%) e atingir equilíbrio entre a vida profissional e pessoal (23,6%).

Nesse sentido das expectativas financeiras, o relatório ainda aponta que 80% dos entrevistados recebem em dólar americano, enquanto 10% ganham em euro. As duas moedas apresentam tendência de maior valorização, quando comparadas ao real, o que torna a prática do global worker ainda mais atrativa.

Motivos para ser global worker

Os motivos para ser um global worker são vários. A pesquisa da Husky também investigou isso. Família, valorização do salário pago pelos gringos em comparação com o real, custo de vida e até amor pelo país explicam por que esses profissionais preferem ficar no Brasil. Veja abaixo!

  • proximidade da família e amigos: 41,5%
  • valorização do meu salário quando convertido para o real: 33,2%
  • gosto do meu país: 8,6%
  • não tenho apoio da empresa para me mudar: 6,8%
  • custo de vida: 6%
  • outros motivos: 1,9%
  • a mudança está sendo planejada: 1,3%
  • aguardando o visto de trabalho: 0,8%

Brasileiros cobram até 500 dólares em plataformas

Em uma plataforma on-line que conecta freelancers a clientes do mundo inteiro, brasileiros fazem mais variados anúncios. Numa busca feita pelo Band.com.br, nesta quinta-feira (7), os preços cobrados variam de 15 a 500 dólares. Muitos dos anúncios eram voltados para o setor de tecnologia, design e criação, produção de conteúdo para redes sociais e tradução.

Um dos anunciantes da plataforma, identificado como “Felipe B”, cobra 500 dólares por uma consultoria de design, durante 30 minutos por videochamada. A nota dele alcança 4.9 estrelas, numa escala que chega a 5, de um total de 90 clientes que avaliaram.

“Com minha sólida experiência, posso orientá-lo na melhor direção em aspectos criativos que resultarão em soluções, estrategicamente, construídas para você, a fim de obter os melhores resultados para o seu projeto e para a sua empresa”, diz a postagem de Felipe B na plataforma.

Brasileiros cobram até 500 dólares em plataforma internacional de freelancers

Brasileiros cobram até 500 dólares em plataforma internacional de freelancers

Para quem quiser explorar o mundo, estando em Xique-Xique, Bahia, ou em Tóquio, Japão, sem sair de casa, a distância está a um clique, a uma videochamda e a uma boa capacitação do candidato que busca experiências profissionais além do conforto da própria língua.