
Trump Casa Branca
Doug Mills/Reuters
Um dia depois de anunciar a possibilidade de um novo “tarifaço” sobre produtos brasileiros, o governo americano também propôs sobretaxar importações de outros 58 países, incluindo o Brasil, nesta terça-feira (2). Em resposta, o governo brasileiro emitiu uma nota, na tarde desta quarta-feira (3), lamentando a decisão e manifestou “profunda discordância”.
“Governo brasileiro manifesta profunda discordância com a conclusão preliminar anunciada ontem (2/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 sobre proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado penalizando indiscriminadamente 59 países e a União Europeia É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais”, diz o comunicado.
Através das redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou a reunião e afirmou que o governo ‘segue unido pelo mesmo propósito: cuidar do povo brsileiro'.
“Reuni hoje ministros e ministras para fazer um balanço dos avanços do nosso governo e dos três anos de reconstrução do Brasil. Seguimos unidos pelo mesmo propósito: cuidar do povo brasileiro, fortalecer nossa soberania e construir um país cada vez mais respeitado, desenvolvido e aberto ao diálogo com todos os países do mundo”, disse.
Sobretaxa
O Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos propôs sobretaxar cerca de 58 países, incluindo o Brasil, devido à "falha no combate ao trabalho forçado". O anúncio foi feito um dia após o governo do presidente americano, Donald Trump, ameaçar aplicar uma nova tarifa de 25% ao Brasil por prática desleal no comércio entre os dois países.
No caso do Brasil, a sobretaxa seria de 12,5% por considerar que o país não apresenta regime eficaz de controle à mão de obra forçada. As tarifas adicionais propostas no novo documento podem variar de 10% a 12,5% sobre todos os produtos provenientes desses países, incluindo China, Índia, Japão e, inclusive, o Reino Unido.
O escritório aponta falhas na fiscalização desses países para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, destacando que a prática restringe o comércio dos Estados Unidos ao criar uma concorrência desleal para as empresas americanas. A medida ainda passará por um período de consulta pública antes de ser implementada.
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