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Governo precisa voltar para a prancheta e cortar gastos

Eduardo Oinegue comenta sobre a queda da Medida Provisória do IOF

Por Redação
REDAÇÃO

09/10/2025 • 22:59 • Atualizado em 09/10/2025 • 22:59

Eduardo Oinegue

Eu detesto a ideia de ficar dividindo o Brasil. Brasil dos ricos contra os pobres, do sul e sudeste contra o norte e nordeste, da direita contra a esquerda. Claro que todo mundo tem dentro de si um lado nas discussões. É natural que as pessoas se incomodem quando o outro lado avança, mas viver em sociedade exige conviver com o contrário. E essas divisões que são simplistas só ajudam a turma do "nós contra eles", onde a sociedade sai perdendo.

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Só tem uma divisão, uma, que eu acho saudável. E eu acho justo alimentar. Que é a divisão que separa o mundo de quem produz, ou já produziu um dia, que tem uma lógica de pensamento, de um outro mundo que se guia por outra lógica de pensamento, que é o Estado. O mundo de quem produz fica no setor privado e paga a conta.

Dentro desse mundo estão os mais ricos, estão os mais pobres, os brasileiros do sul, sudeste, norte, nordeste, centro-oeste, as pessoas que se identificam com a direita, também com a esquerda. E esse mundo recebeu uma boa notícia ontem, que foi a derrubada de uma medida provisória que iria aumentar, mais uma vez, a carga tributária do Brasil. Eu digo mais uma vez porque entra governo, sai governo, entra governo de direita, de esquerda, troca de um para outro, acontece sempre a mesma coisa: a carga tributária sobe. E você é chamado a pagar mais dinheiro, mais tributos, uma conta mais alta. Vamos fazer uma conta simples, tola até. Vamos imaginar que uma pessoa produza por ano dez sacas de arroz.

Quando a Constituição que está em vigor no Brasil foi promulgada, essa pessoa tinha que entregar duas sacas de arroz para o governo na forma de imposto. Hoje ela entrega três sacas e tem que abrir a quarta saca e entregar metade do que tem dentro. Isso não é normal. Não é normal obrigar você a trabalhar mais pra ficar com a mesma quantidade de arroz.

Não dá pra achar que não tem outra solução. Não dá pra achar que o Estado sempre tem que aumentar a tributação pra que você pague as contas que ele inventa. E não deixa você usar o dinheiro que você gerou para pagar a conta que você inventou. Será que o governo nunca vai fazer a parte dele, revisando despesas, pra deixar, ah, a sociedade respirar um pouco?

Aumento de imposto come a poupança da sociedade. Dando mais para o Estado, sobra menos para guardar ou para consumir. Aumento de imposto alimenta a gastança do governo, aumenta a gordura da máquina estatal. Não, é uma complicação. Agora, vem cá, nós não podemos também ser injustos. Nós não podemos colocar só o governo na posição de vilão e o Congresso, porque derrubou a medida, na posição de mocinho.

Ah, derrubou a medida. Porque o Congresso é uma central de gastança de dinheiro público igual o governo. Mas o que o saldo da votação foi bom, foi bom. E talvez ele obrigue o Estado a voltar para a prancheta e retornar com uma nova solução. Tomara que passe pela redução de despesas. A gente vai acompanhar e vai torcer.

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