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Kassab: Tarcísio deve ter identidade própria e evitar submissão a Bolsonaro

Secretário de São Paulo afirma que governador precisa separar lealdade política de autonomia para consolidar liderança nacional.

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

29/01/2026 • 14:55 • Atualizado em 29/01/2026 • 15:03

Gilberto Kassab

Gilberto Kassab

Foto: Ricardo Fonseca/MCTIC

O secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), defendeu nesta quinta-feira (29) que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) estabeleça uma distinção clara entre gratidão e submissão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista ao UOL News, Kassab pontuou que, embora o reconhecimento seja um sinal de caráter, o gestor paulista precisa consolidar sua própria identidade política.

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Diferença entre lealdade e autonomia

Kassab avalia que Tarcísio tem adotado uma postura de respeito e lealdade a Bolsonaro, a quem chamou de "grande líder". No entanto, o secretário ressalta que essa conduta não deve anular a independência do governador. “Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade; outra coisa é submissão”, declarou o articulador político.

Para o secretário, os gestos de Tarcísio em direção ao ex-presidente são legítimos e demonstram a importância de Bolsonaro na eleição que o levou ao Palácio dos Bandeirantes. Contudo, ele reforça que uma liderança do porte de um governador de São Paulo, com potencial para comandar o País, exige um posicionamento próprio diante do eleitorado.

O futuro político de Tarcísio e do PSD

As declarações surgem em um momento de definição estratégica. Tarcísio de Freitas desistiu de disputar a Presidência da República neste ano após Jair Bolsonaro indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como sucessor na corrida ao Planalto. Kassab, que anteriormente apoiava a candidatura do aliado paulista, agora monitora o novo cenário.

Com o recuo de Tarcísio, o PSD projeta novos caminhos para a sucessão presidencial. Segundo Kassab, o partido trabalha com três nomes internos: os governadores Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR). Caso uma dessas opções avance, será a primeira vez que a legenda lançará um candidato próprio à Presidência da República.

Construção de liderança nacional

Kassab reiterou que o reconhecimento ao papel de Bolsonaro na trajetória de Tarcísio deve ser permanente, mas não pode limitar as pretensões políticas do governador. De acordo com o secretário, o Brasil espera que uma personalidade com a relevância de Tarcísio demonstre ter luz própria para além de suas alianças históricas.