
Naaja Nathanielsen
REUTERS/Toby Melville
A ministra de Negócios e Recursos Minerais da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, expressou forte rejeição à retórica do governo dos Estados Unidos sobre assumir o controle da ilha.
Durante um encontro com parlamentares no Reino Unido, a autoridade afirmou que a população do território ártico está profundamente preocupada e que o discurso americano é difícil de compreender para quem vive na região. Nathanielsen reforçou que a Groenlândia, que faz parte do Reino da Dinamarca e é aliada estratégica da Otan, não tem o desejo de se tornar propriedade ou ser governada por Washington, classificando a possibilidade de venda ou anexação como algo inconcebível.
Tensões diplomáticas e a esfera de segurança nacional
As declarações da ministra surgem em um momento delicado, antecedendo uma reunião oficial em Washington entre representantes da Groenlândia, da Dinamarca e autoridades americanas. Nathanielsen reconheceu que o governo local compreende a visão dos Estados Unidos de que a ilha é fundamental para sua segurança nacional, especialmente diante da necessidade de monitoramento no Ártico em um cenário de instabilidade global. Ela destacou a disposição para cooperar e fortalecer a segurança regional, mas ressaltou que qualquer mudança ou ajuste deve ocorrer sem o uso da força, rejeitando qualquer medida que fira a soberania do território.
A postura de Trump e a reação internacional
O debate ganhou novos contornos após declarações recentes do presidente Donald Trump, que defendeu a necessidade de os EUA "assumirem a Groenlândia" para mitigar riscos de influência russa ou chinesa na região. Embora o líder americano tenha afirmado preferir a via diplomática, ele declarou que o país irá assegurar o controle da ilha "de um jeito ou de outro".
Enquanto a Otan evita se envolver diretamente na disputa, focando apenas na segurança coletiva do Ártico, uma delegação bipartidária do Congresso dos Estados Unidos planeja viajar a Copenhague para tentar reduzir os danos diplomáticos e demonstrar que a unidade entre americanos e dinamarqueses permanece intacta.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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