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Guerra Ucrânia e EUA na Casa Branca

Por Redação
REDAÇÃO

28/02/2025 • 17:44 • Atualizado em 28/02/2025 • 17:44

Moises Rabinovici
Zelenski e Trump, na Casa Branca

Zelenski e Trump, na Casa Branca

Brian Snyder/Reuters

Um encontro histórico, explosivo, em que os presidentes Donald Trump e Volodymyr Zelensky gritaram um com outro, ao vivo pela tevê, no Salão Oval da Casa Branca, terminou 2h20 depois de iniciado, sem um acordo previsto de exploração de minerais raros com o qual a Ucrânia pagaria a ajuda militar dos EUA para se defender da invasão da Rússia.

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“Volte quando estiver pronto para a paz”, disse Trump num comunicado em que cancelou uma entrevista coletiva que os dois presidentes deveriam conceder, depois de uma nova rodada de negociação, que não aconteceu.

“Nunca vi isso em todos meus anos na Casa Branca”, repetiram âncoras em todos os canais de TV. “Espantoso”. “Incrível”.

O presidente Zelensky saiu da Casa Branca direto para o carro que o levaria a seu avião e à Europa, onde uma reunião com os principais líderes europeus o espera no fim de semana.

O vice-presidente J. D. Vance entrou no diálogo tenso dos dois presidentes, que falavam ao mesmo tempo, atropelando-se, para dizer que Zelensky estava sendo “desrespeitoso” diante da mídia americana e no Salão Oval. O “desrespeito” foi uma pergunta a Trump: qual seria a mensagem dele para os aliados preocupados com seu alinhamento com o presidente russo Vladimir Putin?

“Você disse obrigado uma vez? ”, perguntou o vice Vance que, na semana passada, numa conferência em Munique, disse que “não estava nem aí para a Ucrânia”. Trump prometeu na campanha eleitoral que acabaria a guerra na Ucrânia em 24 horas, antes mesmo de tomar posse. Ele começou a negociar com Putin diretamente, sem Zelensky e sem a Europa, mantendo-os afastados dos detalhes. E acusou a Ucrânia de ter provocado a guerra, quando, na verdade, a Rússia a invadiu. Por fim, chamou Zelensky de “ditador”.

Quando um acordo de minérios ucranianos raros tornou-se viável, Trump já não se lembrava mais de que Zelensky era um “traidor”. Um repórter lhe perguntou e ele respondeu: “Eu disse isso? Não acredito que disse isso”. E continuou, ao lado do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, na quinta-feira: “Eu tenho muito respeito por ele”. E elogiou Putin, “um cara muito inteligente, uma pessoa muito astuta”.

Trump pretendia 500 bilhões de dólares em minérios raros pela ajuda militar à Ucrânia. Calculou depois que os EUA mandaram 350 bilhões de dólares em armamentos. O Instituto Kiel para a economia mundial restabeleceu a verdade: foram 119 bilhões de dólares contra 138 bilhões de dólares da Europa.

Emboscado pelo presidente e vice-presidente dos EUA, Zelensky argumentou que Putin não era confiável, ele rompeu um acordo depois de invadir a Crimeia, invadindo de novo a Ucrânia, e não cumpriu uma troca de prisioneiros. Exibiu fotos de prisioneiros de guerra que foram abusados na Rússia, e acrescentou que a guerra é mais do que dinheiro explorado em mineração. Aconteceu que Zelensky não quis condescender ou aplacar Trump, como o presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que visitaram a Casa Branca nesta semana.

Trump tentou ainda forçar Zelensky ao acordo nos termos dos EUA. Ameaçou abandonar a Ucrânia. Disse-lhe: “você vai fazer um acordo, ou estamos fora”. E mais: “Você não está em posição de ditar o que sentiremos. Você não tem as cartas agora. Você está jogando com a Terceira Guerra Mundial”. A imprensa foi convidada a se retirar do Salão Oval. Alguns minutos, um comunicado da Casa Branca explicou que “o presidente Zelensky não está pronto para a paz”. Mas que “ele pode voltar quando estiver pronto para a paz”.

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