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Há muitas fabriquetas por trás das bebidas contaminadas por metanol

Por Redação
REDAÇÃO

01/10/2025 • 23:42 • Atualizado em 01/10/2025 • 23:42

Eduardo Oinegue

Turquia, só este ano, mais de 150 mortes. Índia, ano passado, 24 mortes. Peru, há 3 anos, 54 mortes. Tem caso de morte por bebida contaminada com metanol em quase 30 países. E agora vem essa leva de casos por aqui que não são os primeiros.

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Há décadas isso acontece. Em 1999, na Bahia, 34 mortes. Fizeram o exame de sangue das pessoas, encontraram concentração de metanol de até 500 vezes mais concentração do que de álcool etílico. Em toda parte, a adulteração é feita por quadrilhas. São muitas quadrilhas, mas são quadrilhas pequenas.

Em 2016, a polícia chegou à maior quadrilha de falsificação de bebidas da história, foi anunciada assim. Sabe quanto ela produzia por ano? O equivalente ao que o Brasil bebe a cada 3 horas. Então, são quadrilhas pulverizadas, e essa pulverização de quadrilhas dificulta o enfrentamento, porque não tem uma grande fábrica pra fechar, mas centenas e centenas de pequenas fábricas.

E não tem uma grande fábrica porque teria que ocupar uma área enorme, mexer com milhões e bilhões de litros, garrafas e mais garrafas. É muito complicado, por isso as pequenas fábricas. Pequenas fábricas que contam com a ajuda de comerciantes inescrupulosos, que sabem que tem boi na linha quando compram uma bebida por um preço mais baixo.

Olha só, 1 litro de vodka de bom padrão, renomada, de R$ 50 a R$80. Um litro de uísque oito anos, R$ 80/90, R$ 180 no caso de doze anos.

Um litro de metanol custa R$ 3, R$ 4. Fazem a mistura, e você imagina o lucro que isso dá. O lucro que dá para quem fabrica, o lucro que dá para o comerciante inescrupuloso, que acaba comprando por um preço mais baixo, aumentando a sua lucratividade.

Infelizmente, não vai ser a polícia que vai resolver o caso, não sozinha. Imagina como é que ela vai achar milhares de fábricas por aí? A gente precisa de mais, a gente precisa de um sistema de rastreamento. Um sistema de rastreamento que use a tecnologia para a gente saber de onde vem, para onde tá indo a bebida, como se faz com os medicamentos.

Do contrário, a gente vai viver como a gente tá vivendo, em ondas. Aí tem uma onda de mortes, teve lá atrás, tem nesses países, teve no ano passado em outro país, no outro ano. Agora, de novo, volta ao Brasil, e daí vai vivendo em ondas.

Daqui a pouco passa, a gente finge que o problema acabou, só que depois ele volta. Isso não é justo com as distribuidoras que trabalham sério, com os fabricantes que trabalham sério, com os comerciantes que trabalham sério, com a indústria de festas, que tá atônita, e com a sociedade. Todos nós merecemos uma solução definitiva.

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