
Haddad
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), relator do Projeto de Lei Antifacção, e afirmou que o parlamentar “não é uma pessoa versada em investigação e inteligência contra o crime organizado”. Derrite está licenciado do cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Haddad disse desconhecer o conteúdo final do projeto e criticou a pressa na tramitação do texto, que deve ser votado em breve na Câmara. “Há um açodamento para votar sem diálogo com o governo. A Polícia Federal e a Receita Federal não pertencem a governos, são órgãos de Estado. Enfraquecê-los não faz o menor sentido”, declarou.
O ministro ressaltou que o governo federal tem atuado de forma integrada para combater financeiramente o crime organizado. “A PF atua com inteligência no andar de cima do crime. Estamos constantemente realizando operações e aprimorando nossos sistemas. É motivo de orgulho”, afirmou.
Em tom crítico, Haddad questionou a condução do relatório. “Vai colocar isso a perder por causa do açodamento de um relator que, com todo respeito, não entende de inteligência e investigação? Quanto menos se sabe, mais se deve buscar apoio de quem sabe”, disse.
O ministro também defendeu a votação do projeto que combate o devedor contumaz, parado há oito anos no Congresso. “Isso, sim, combate o crime organizado. Por que não votam? O que está por trás disso?”, questionou, mencionando o texto que ganhou força após a Operação Carbono Oculto.
Haddad sugeriu que o PL Antifacção seja submetido a consulta pública por algumas semanas, para que governadores e especialistas possam contribuir. “Todos os governadores são filhos de Deus. Tem que ouvir todo mundo. Sequer os interessados estão sendo ouvidos. Tudo está sendo feito de forma atabalhoada, e por trás disso há algum interesse que não resiste à luz do dia”, afirmou.
Mais cedo, o ministro se reuniu com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tratar da integração entre a PF e a Receita Federal. Segundo Haddad, o encontro não abordou o projeto em discussão na Câmara. “Estamos refinando os procedimentos de troca de informações e discutindo novos passos de integração. Precisamos do apoio do Congresso para fortalecer essa cooperação, inclusive com Ministérios Públicos e polícias estaduais”, completou.
As declarações foram dadas após reunião no Palácio do Planalto sobre o Orçamento, sem mais detalhes divulgados à imprensa.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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