
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Fernando Haddad defendeu medidas do Ministério da Fazenda e destacou resultados econômicos registrados pelo Brasil. O ministro detalhou, por exemplo, que o imposto a sites de compra no exterior como Shein e Shopee, que ficou conhecido como “taxa das blusinhas”, foi uma exigência do varejo brasileiro, que fez um apelo ao Congresso Nacional devido a problemas na produção nacional.
“O varejo do Brasil estava fechando lojas e levaram os dados para o Congresso e falaram: ‘Eu pago imposto, eu quero que o cara pague o mesmo imposto que eu'”, destacou ele em entrevista ao podcast "Flow".
Haddad frisou ainda que parte dos impostos cobrados em sites como esses são o ICMS, que é de responsabilidade dos estados, e que a o imposto de importação teve amplo apoio na Câmara e no Senado.
“ICMS não tem nada a ver com o governo federal, é um imposto estadual. Se o Tarcísio vier aqui, você não vai chegar aqui e falar: ‘Por que você está taxando a Shopee?’. O imposto de importação poderia ter sido criado por portaria do Ministério da Fazenda. Não foi porque o presidente não quis. O Congresso aprovou por unanimidade, inclusive com apoio do PL do Bolsonaro, o mínimo de 20% de imposto de importação”, ressaltou o ministro.
Haddad destacou ainda que uma das buscas do governo é por justiça tributária. Em outras palavras, buscar que pessoas mais ricas paguem mais impostos do que pessoas mais pobres. Por isso, ele citou a medida de taxação de fundos exclusivos e offshores.
“Tem 100 milhões de trabalhadores que têm o desconto na folha. O cara [mais rico] tem centenas de milhões e passa batido [no imposto]. Aí você vai para cima do cara e ele começa a distribuir meme teu na internet”, relatou o político sobre as críticas que recebeu nas redes sociais, com memes que o chamavam de “Taxad”.
Fake news do Pix
O ministro também reclamou da polêmica envolvendo o Pix. Após a publicação de um ato normativo da Receita, que visava estender o monitoramento de operações de até R$ 5 mil realizadas via Pix, foi espalhada nas redes sociais a informação de que o governo pretendia taxar o método de pagamento.
Apesar de inverídica, a informação causou barulho e levou o governo a revogar a medida.
Haddad reclamou do ruído. “Quem defendia imposto sobre o Pix era o ministro da Economia do governo Bolsonaro [Paulo Guedes], e defendeu publicamente. O atual governo nunca cogitou”, afirmou.
Crescimento e inflação
Ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda celebrou os atuais números da economia, que cresceu 3,4% em 2024. Ele disse ainda que a atual administração busca uma virada após “década ruim”.
“O Brasil, a partir de 2013 até 2022, teve uma década ruim, desarrumada. Em parte, por medidas equivocadas, mas também por causa da política. O Brasil ficou polarizado, começou a ter uma sabotagem de parte a parte. As pessoas não conseguiam distinguir uma disputa de governo de temas que são de Estado. Estamos tentar superar essa situação, que ainda persiste, mas não como em um passado recente”, destacou.
Entretanto, Haddad acha que o crescimento de 2025 será mais “moderado” devido ao combate à inflação – o Banco Central aumentou o valor da taxa de juros para controlar o aumento de preços, o que tende a desacelerar a economia.
“Acredito que vamos continuar crescendo com um pouco mais de moderação por causa da inflação. Precisamos moderar para a oferta de produtos acompanhar a demanda, que cresceu muito. A renda das famílias cresceu, elas estão comprando mais. Se a oferta não acompanha o crescimento da demanda, você tem um ajuste do preço. Essa calibragem é fundamental para continuar crescendo e mantendo a inflação controlada”, frisou.
"Acredito que uma série de produtos que estão mais caros hoje vão ter seus preços reduzidos com a entrada da safra, que vai ser muito expressiva”, complementou o ministro.
Haddad falou ainda sobre a briga pelo ajuste fiscal, que tem sido alvo de debates acalorados dentro do próprio governo, com uma ala e o mercado financeiro defendendo mais cortes de gastos e outros setores buscando mais dinheiro para investimentos.
O ministro reconheceu a dificuldade em tratar do tema e disse que o papel de sua equipe é ser “o grilo falante” do governo, ou seja, sua consciência.
“O papel da área econômica... é o ‘grilo falante’ do governo. O mais fácil é resolver o problema na planilha, o difícil é resolver o problema na política. A arte de você acertar as contas não é saber que precisa cortar R$ 10 bilhões. [É saber] como faz, quem vai pagar essa conta, como o Congresso vai reagir. São pessoas com seus interesses, com sua visão de mundo. Tem gente que fala: ‘Sou de direita e vou cortar nos programas sociais, o cara que se vire’. Herdamos o país com 33 milhões de pessoas passando fome”, afirmou ele.
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