A violência doméstica raramente afeta apenas a mulher, estendendo-se também a filhos que testemunham ou sofrem as agressões. Casos relatados demonstram que a exposição prolongada a este ambiente não só deixa marcas psicológicas profundas, como também perpetua um ciclo onde os filhos podem tornar-se novas vítimas ou, futuramente, reproduzir o comportamento e tornarem-se os próprios agressores.
Às vezes essa pessoa que cresceu em um ambiente muito intimidador, com pais agressores, sai de casa justamente para sair daquele ambiente de agressividade, mas inconscientemente há uma parte do cérebro dela que acaba escolhendo o mesmo padrão de funcionamento. --psicóloga Iunci Pinheiro
Um exemplo dramático deste fenômeno é o de Edileusa Pereira, uma auxiliar de limpeza que suportou anos de abusos físicos e humilhações por parte do marido com o objetivo de proteger os filhos pequenos. No entanto, a realidade revelou-se cruel: após a saída do marido de casa, os filhos, já adultos, ocuparam o lugar do pai agressor, chegando a ameaçar a vida da mãe dentro do seu próprio quarto.
Outro caso alarmante envolve uma jovem de 16 anos que, após conviver por anos com a violência do pai contra a mãe, tornou-se alvo de aliciamento e ameaças de morte dele também, sendo obrigada a recorrer a medidas protetivas e à polícia para garantir a sua sobrevivência. Ela foi morar com a avó.
Padrão que se repete
Especialistas alertam que, em lares onde a violência é rotineira, as agressões assumem formas verbais, físicas e psicológicas, moldando o desenvolvimento cerebral e o comportamento das crianças.
Frequentemente, mesmo ao tentarem fugir de ambientes agressivos, os indivíduos podem, de forma inconsciente, escolher padrões de funcionamento e situações de agressão semelhantes devido à forma como o cérebro se habituou a esses padrões. Para enfrentar este cenário, juristas defendem que a resposta estatal deve ir além da polícia.
É muito importante que nós tenhamos mais políticas públicas direcionadas a essa mulher para fazer acolhimento, para dar o que essa mulher precisa, seja uma questão de complementação de renda, um aluguel social, o que pode ajudar essa mulher a sair desse ambiente violento. --procuradora Nathalie Malveiro
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