
Papa Leão XIV durante Audiência Geral, no Vaticano
REUTERS/Remo Casilli
O Hezbollah (Partido de Alá) pediu ao papa Leão XIV que “assuma posições que rejeitem a injustiça e os ataques” israelenses no Líbano, quando o visitar a partir de amanhã, tendo por lema a frase do livro do apóstolo Mateus (5:9).: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.”
O pedido do Hezbollah está numa carta de saudação e agradecimento ao Papa pela sua visita “ao país que Deus dotou de uma localização geográfica única e de uma harmoniosa diversidade religiosa.”
O chefe espiritual druso, sheik Sami Abi el-Mona, também saudou o papa Leão XIV, dizendo que “o Líbano está hoje repleto de alegria, esperança e grande otimismo graças à tão esperada visita de Sua Santidade o Papa, especialmente neste período delicado que estamos vivenciando, seja em termos de segurança, condições sociais ou econômicas.” Ele acrescentou, numa entrevista à rádio: “O Líbano precisa da esperança que esta visita representa.”
Esta é a primeira viagem de Leão XIV desde que sucedeu ao Papa Francisco. Ele parte da Turquia para o Líbano, amanhã, e na segunda-feira, na Praça dos Mártires, em Beirute, ante uma audiência interreligiosa, com 300 chefes religiosos cristãos, muçulmanos e drusos, “reafirmará a diversidade na união nacional e humana.”
A carta do Hezbollah ao Papa estadunidense denuncia que Israel “ainda ocupa ao menos seis posições em território libanês com apoio” (dos Estados Unidos, não citado explicitamente). E prossegue acusando a “ganância” israelense, que quer “controlar os recursos hídricos, terrestres e de gás do Líbano”, como consequência de suas "ambições expansionistas desenfreadas."
O Hezbollah explica ao Papa que aceita depor suas armas ao sul do rio Litani, perto da fronteira israelense, “mas se recusa a desarmar-se no restante do Líbano”, como previsto no acordo de cessar-fogo de 27 de novembro de 2024, que pôs fim a 13 meses de guerra. Na semana passada, a aviação israelense matou o novo chefe militar do Hezbollah, em Beirute, e tem atacado no sul do Líbano quase que diariamente, sob a justificativa de impedir que o grupo se rearme e se reorganize. Por fim, a carta contém ainda uma condenação à tragédia em Gaza e “a recusa” da comunidade internacional em usar a “justiça e a lei” para resolver o “genocídio comprovado”.
O mufti jaafarita libanês (escola de direito islâmico) Ahmad Kabalan também saudou a visita do papa Leão XIV com uma mensagem divulgada pela Agência Nacional de Informação (ANI), na qual ele diz: “Não há povo mais oprimido, mais órfão, mais afligido do que o de Gaza, Palestina, e todos os outros povos vitimados pela tirania sionista no Oriente Médio — incluindo o Líbano e a Síria.”
O mufti (jurista islâmico) Kabalan rejeita negociações com Israel tendo a Bíblia como critério: “Enquanto tomarmos a Bíblia, o Alcorão e os preceitos da justiça divina como nossos critérios, não podemos aceitar que este país (Líbano) — santificado por tantos sacrifícios — negocie com o mal sionista”.
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