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Honduras e Venezuela: um mesmo crime, duas sentenças, segundo Trump

A Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, defendeu o segundo ataque, alegando que "tudo estava dentro da autoridade legal" dos militares

Por Redação
REDAÇÃO

02/12/2025 • 16:18 • Atualizado em 02/12/2025 • 16:18

Moises Rabinovici
Honduras e Venezuela: um mesmo crime, duas sentenças, segundo Trump

Honduras e Venezuela: um mesmo crime, duas sentenças, segundo Trump

Reuters / Brian Snyder

O ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández (JOH), foi libertado de 45 anos de prisão por tráfico de drogas, hoje, pelo presidente Donald Trump, que pressiona, implacavelmente, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a renunciar, acusado de narcotráfico. Qual a diferença entre o condenado perdoado e o perseguido não julgado? Um é de direita, e o outro, de esquerda.

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Trump também interfere nas eleições hondurenhas do fim de semana, em fase de contagem final de votos, apoiando o candidato Nasry Asfura, o “Tito”, do mesmo Partido Nacional de JOH, que está em empate técnico com outro candidato de direita, Salvador Nasralla. A diferença entre os dois é de apenas 515 votos, apurados 57% dos votos.

JOH foi sentenciado a 45 anos de prisão, no ano passado, porque queria abrir uma “supervia de cocaína” entre Honduras e Estados Unidos. O julgamento revelou “uma das maiores e mais violentas conspirações de narcotráfico do mundo”. Mas JOH se promovia como um conservador antidrogas. E escreveu uma carta a Trump, tratando-o por “sua Excelência” e se dizendo vítima de “perseguição política” do ex-presidente Joe Biden.

O perdão causou um choque no mundo político de Washington, por controvertido. De um lado, JOH, condenado pela Justiça dos EUA, e de outro, Nicolás Maduro, indiciado por acusações de narcoterrorismo em 2020, atualmente cercado por mar e ar por uma armada americana colossal, e ante um ultimado de Trump, segundo o jornal Miami Herald: renuncie, e terá passagem livre para o exílio com a mulher e filho.

Enquanto dura o impasse, mais de 80 pessoas já foram mortas em ataques contra barcos que, supostamente, transportariam drogas, mas sem provas, nomes e nem porto de embarque ou desembarque. Em 2 de setembro, dois sobreviventes de um ataque morreram em um segundo ataque, agarrados a destroços em chamas, o que é considerado uma provável violação de leis internacionais e americanas. A ordem verbal do secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, é para “não deixar sobreviventes”.

A Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, defendeu o segundo ataque, alegando que "tudo estava dentro da autoridade legal" dos militares. No entanto, ela não forneceu detalhes para sustentar essa alegação

Uma interpretação sobre o perdão a JOH é a de que seria uma “mensagem para Maduro”. Trump poderia perdoá-lo “se ele apenas jogar junto...” A preferência na eleição hondurenha também foi decidida pelo candidato Nasry Asfura, “o homem que está defendendo a Democracia lutando contra Maduro”.

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