
Eleições na Hungria e no Peru
Reuters
A Hungria e o Peru passam por eleições que podem alterar os cenários políticos nos países neste domingo (12). No país do leste europeu, o primeiro-ministro Viktor Orbán enfrenta o maior momento de vulnerabilidade em 16 anos de mandato. No Peru, o desafio é superar uma crise de instabilidade política elegendo o nono presidente em dez anos.
Hungria
Segundo o jornal Al Jazeera, o premiê Orbán está em uma luta direta por sua sobrevivência política contra o crescimento surpreendente de Péter Magyar, um ex-aliado que agora lidera a oposição com um discurso de combate à corrupção. Embora conte com o apoio econômico prometido por Donald Trump, Orbán vê seu controle ameaçado pelo desgaste econômico e pela união de eleitores que buscam uma reaproximação com a União Europeia.
A eleição é considerada a mais importante desde a transição democrática de 1989/90. Nos 16 anos de seu governo, Orbán, alinhado à Rússia, corroeu a democracia na Hungria, controlou em grande parte a mídia e o Judiciário e, segundo críticos, estabeleceu um sistema corrupto de clientelismo.
Por que Magyar é séria ameaça a Orbán
Magyar é uma figura excepcional na política húngara. Ele próprio vem das fileiras do poder, tendo sido casado com a outrora influente ex-ministra da Justiça, Judit Varga – cuja carreira no Fidesz desmoronou devido ao escândalo da anistia envolvendo o assistente de um diretor de orfanato pedófilo.
Magyar ingressou no Fidesz ainda jovem, admirador de Viktor Orbán, que governou o país pela primeira vez de 1998 a 2002. Orbán, na casa dos 30 e poucos anos, proclamou o renascimento da burguesia húngara – e hoje, com sua retórica populista, apela aos segmentos mais pobres e menos instruídos da população que dependem do Estado.
Em fevereiro de 2024, Magyar rompeu com o sistema de seu antigo ídolo. Sua renúncia ao Fidesz eletrizou as massas. Mais de 100 mil pessoas compareceram ao seu primeiro comício em Budapeste. Com uma velha caminhonete, ele percorreu o país incansavelmente.
Mais tarde, viajou também a pé ou de caiaque ao longo do rio Tisza, buscando os vilarejos mais remotos. Encontrou pessoas que não viam um político de alto escalão há muito tempo. Reacendeu as esperanças. Pessoas que se sentiam presas ao sistema dos potentados locais do Fidesz e seus aliados esperavam que ele promovesse as mudanças necessárias.
Trump reforça apoio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou mais uma vez apoio público ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, antes das eleições no país europeu. Em mensagem divulgada na Truth Social, Trump afirmou que sua administração está pronta para utilizar a força econômica dos EUA na economia húngara.
Meu governo está pronto para usar todo o poder econômico dos Estados Unidos para fortalecer a economia da Hungria, como fizemos com nossos grandes aliados no passado, caso o primeiro-ministro Viktor Orbán e o povo húngaro venham a precisar.
Peru
Já no Peru, o desafio é superar uma crise de instabilidade que parece não ter fim. De acordo com informações da rede espanhola RTVE, o país tenta eleger o seu nono presidente em apenas dez anos, um reflexo da profunda desconfiança da população com a classe política.
Com um número recorde de 35 candidatos na disputa, o voto está extremamente fragmentado, o que torna quase impossível uma vitória no primeiro turno. Entre os favoritos estão nomes como Keiko Fujimori e Carlos Álvarez, mas a mídia internacional destaca que a grande quantidade de candidatos e partidos pequenos deve resultar em um Congresso dividido, dificultando a governabilidade de quem quer que vença o pleito.
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