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Brasil avança na IA, mas falta estrutura para uso seguro

Diretrizes nacionais esbarram em desafios de capacitação, supervisão e preparo institucional em escolas, empresas e serviços públicos

Da redação
DA REDAÇÃO

03/12/2025 • 16:13 • Atualizado em 03/12/2025 • 16:13

Emprego

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Divulgação / Banco de Imagens

O governo federal lançou, em 2025, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBia), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos para acelerar a adoção da tecnologia no país. A proposta, apresentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mira cinco eixos estratégicos (da formação e requalificação profissional ao letramento digital) e coloca a IA como infraestrutura essencial ao desenvolvimento nacional.

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Com o plano, a inteligência artificial deixa de ser tratada como ferramenta restrita ao setor de tecnologia e passa a integrar políticas públicas voltadas à economia, à educação e aos serviços essenciais. A orientação do governo é que a IA seja aplicada de forma segura, transparente e socialmente responsável, sempre com supervisão humana.

Interesse por IA cresce por profissão

O avanço da tecnologia aparece também no comportamento dos brasileiros. Segundo dados da Sala Digital, as buscas por “IA para…” ao longo de 2025 formam o seguinte ranking nacional:

  1. IA para advogado(s)
  2. IA para professor(es)
  3. IA para estudante(s)
  4. IA para desenvolvedor(es)/dev(s)
  5. IA para médico(s)
  6. IA para programador(es)
  7. IA para designer(s)
  8. IA para contador(es)
  9. IA para arquiteto(s)
  10. IA para engenheiro(s)

O dado indica que as áreas com maior interesse são também as que lidam com tarefas complexas, grande volume de informação e pressão crescente por produtividade. Profissionais desses setores recorrem à IA tanto para acelerar processos quanto para lidar com rotinas mais exigentes.

Advocacia

Uma pesquisa da OAB-SP, em parceria com Jusbrasil, ITS-Rio e outras organizações, aponta que 55,1% dos advogados brasileiros já utilizam IA jurídica na rotina, sobretudo para análise de documentos, elaboração de peças e pesquisa de jurisprudência. O uso reduz o tempo dedicado a tarefas repetitivas e aumenta a produtividade.

Apesar dos ganhos, juristas e especialistas ressaltam que o uso da IA na Justiça deve sempre ocorrer com supervisão humana para evitar erros, vieses e falhas éticas.

Ensino

No ensino básico e médio, a IA já é amplamente utilizada. Levantamento do Cetic.br mostra que 70% dos estudantes e 58% dos professores usam ferramentas generativas em atividades escolares, muitas vezes sem orientação ou diretrizes institucionais.

Outro estudo, da OCDE/TALIS 2024, aponta que 56% dos docentes brasileiros incorporam IA às práticas pedagógicas, proporção acima da média global (36%).

No ensino superior, ferramentas institucionais começam a ganhar espaço, como o Sabiá, chatbot lançado em 2025 para auxiliar estudantes no acesso a informações acadêmicas internas.

Saúde

Na medicina, a IA avança tanto na análise de dados quanto no desempenho em avaliações técnicas. Um estudo recente mostrou que grandes modelos de linguagem em português apresentaram resultados próximos aos de candidatos humanos em provas de residência médica.

O PBia também destaca aplicações como análise automatizada de imagens, manutenção preditiva e otimização de fluxos hospitalares, iniciativas que podem acelerar diagnósticos e melhorar o atendimento em regiões com escassez de recursos.

Tecnologia, design e profissões técnicas

Segundo o relatório “2025 Global AI Jobs Barometer”, da PwC, o uso de IA está associado globalmente a um crescimento de produtividade quase quatro vezes maior. Profissionais com habilidades na tecnologia também passaram a ter um “bônus salarial” médio de 56%.

Apesar disso, muitas empresas brasileiras ainda não possuem equipes especializadas ou profissionais capacitados em IA, o que mostra o descompasso entre o potencial da tecnologia e sua implementação prática.

Desafios para uma adoção segura e equilibrada

O PBia parte da premissa de ampliar o uso da IA sem comprometer direitos, equidade e acesso. Suas metas incluem a requalificação profissional, a formação de estudantes para o uso consciente da tecnologia e políticas que permitam a adoção da IA por micro e pequenas empresas.

Na educação, porém, professores e alunos já utilizam ferramentas sem diretrizes claras, o que alimenta preocupações sobre dependência, criatividade e qualidade da aprendizagem. Na área jurídica, autoridades reforçam a necessidade de supervisão humana para proteger dados sensíveis, garantir transparência e evitar decisões automatizadas.

Esse descompasso aparece também no setor corporativo: embora a adoção da IA avance no mundo, grande parte das empresas brasileiras ainda carece de estrutura técnica para explorar plenamente o potencial da tecnologia, criando um hiato entre expectativa e implementação.