
Imprensa internacional repercute caso de Daniel Vorcaro
Reprodução
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (4), a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ação, baseada em mensagens interceptadas e novas provas, revelou um esquema de monitoramento ilegal de autoridades e planos de violência contra profissionais da imprensa.
A "milícia privada" e o plano contra jornalista
As investigações da Polícia Federal, repercutidas pela agência britânica Reuters, detalham diálogos em que Vorcaro teria solicitado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de "Sicário", um ataque ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O plano consistia em forjar um assalto para "quebrar todos os dentes" do profissional.
De acordo com o jornal espanhol El País, Vorcaro mantinha uma espécie de milícia privada denominada "A Turma". O grupo era responsável por coletar informações sensíveis, realizar espionagem ilegal e ameaçar adversários, autoridades e jornalistas. O texto classifica o banqueiro como um "magnata cujos segredos fazem tremer a classe política do Brasil".
Invasão de sistemas e alcance político
O El País destaca ainda que o grupo teria acessado sistemas restritos de órgãos fundamentais, como o Ministério Público, a própria Polícia Federal e instituições internacionais, incluindo o FBI e a Interpol. A reportagem aponta que as conexões de Vorcaro alcançam diversos partidos políticos, gerando o temor de que uma eventual delação premiada possa atingir a elite econômica e política do país.
Para o jornal espanhol, o "caso Master" se tornou uma sombra sobre o poder no Brasil devido às suas ramificações. O maior receio de figuras públicas no momento seria a possibilidade de o empresário confessar o esquema aos investigadores em busca de clemência judicial.
Impacto financeiro e decisões judiciais
O jornal britânico Financial Times ressaltou que esta é a segunda prisão de Vorcaro e contextualizou o colapso do Banco Master, ocorrido no ano passado. A publicação define o caso como a maior falência bancária no Brasil em uma geração, com perdas estimadas em mais de R$ 40 bilhões.
Nos Estados Unidos, a agência Associated Press informou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou o congelamento de R$ 22 bilhões em bens. Na decisão, o magistrado apontou indícios de crimes contra os sistemas financeiro e judiciário, além de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Com informações da Agência Estado
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