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Improdutividade atrapalha desenvolvimento do Brasil

As consequências econômicas da redução da jornada de trabalho no Brasil são destaques do comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

Por Redação
REDAÇÃO

11/02/2026 • 22:44 • Atualizado em 11/02/2026 • 22:44

Eduardo Oinegue
Improdutividade atrapalha desenvolvimento do Brasil

Improdutividade atrapalha desenvolvimento do Brasil

Reprodução/Band

A gente não pode deixar que os populistas enrolem a gente. Que o truque eleitoral barato vença a razão. A última dessa gente é das mais marotas: o Brasil vai ser um país mais justo se a gente reduzir a jornada de trabalho.

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Você vai ao buffet infantil, eles servem lá batatinha com sorriso, coxinha, bolinha de queijo... quem é que não gosta de uma gordice, né? Só que isso não pode levar os nutricionistas a recomendar que seja essa a dieta do brasileiro. Não é porque faz sucesso dizer que a jornada de trabalho é puxada que os responsáveis pela nação devem aprovar essa loucura chamada redução da jornada.

Vamos falar a verdade, vai? A jornada média de trabalho aqui é de 39 horas por semana. Mais baixa do que em 97 países. Por que que essa discussão é absurda? Porque trabalhando 39 horas por semana — e não 35, 30, 25, seja lá o que for — o Brasil já é dos países mais improdutivos do mundo. Entre os países mais ricos, o mais improdutivo.

E essa improdutividade mantém a gente na pobreza. Essa improdutividade impede que a gente progrida. Não é a jornada. Há 40 anos a gente tinha a 48ª maior renda per capita do mundo, diz o FMI. Hoje, 87ª. A gente empobreceu na comparação com o mundo. E por quê? Porque a gente é improdutivo.

E vencer a improdutividade é a nossa luta, não a adesão a uma tese caça-votos. Pega dois navios. Põe um num porto chinês, outro num porto brasileiro. Manda encher de contêiner. Aqui a gente coloca 60 contêineres por hora no navio, lá 150. No tempo que a gente carrega um navio, a China carrega quase três. Isso encarece o serviço.

Pega dois caminhoneiros. Coloca um numa estrada americana, outro numa estrada brasileira. O caminhão nos Estados Unidos roda 500 km em menos de seis horas; aqui, mais de dez horas. Gastando mais pneu, mais diesel, mais com as paradas. O resultado é que um caminhoneiro nos Estados Unidos faz oito fretes longos por mês; aqui faz quatro. Em seis anos o americano tem dinheiro para trocar o caminhão; aqui, fica com o caminhão mais de 12 anos. Só troca por um zero quando sai um programa do governo de renovação da frota com juros subsidiados, porque do contrário não dá para pagar.

Construção civil: pega a obra de um prédio de 20 andares. Nos Estados Unidos, um ano fica pronto com 50 pessoas trabalhando. Aqui, três anos com 100 pessoas trabalhando. Adivinha que empregado vai ganhar mais?

Tudo é assim no Brasil: mais demorado, mais ineficiente, mais caro. Com honrosas exceções, tipo agronegócio. E quando demora mais, eles apertam os custos para compensar a demora. Adivinha se o salário não paga o pato? Claro que paga. Por isso que o trabalhador brasileiro ganha menos do que o americano, do que o alemão, do que o irlandês. Aliás, o irlandês produz sete vezes mais do que o brasileiro. E se ele ganha, portanto, quatro vezes mais, ainda assim é mais barato do que pagar um brasileiro.

Esse é o nosso problema. Como disse o prêmio Nobel de economia em 2008, Paul Krugman: 'Produtividade não é tudo, mas no longo prazo é quase tudo'. Aí vem o populista, o demagogo, o camarada que está de olho na eleição de outubro e querendo enganar as pessoas, evita esse assunto que é chato. Muito mais gostoso é falar que o trabalhador tem que trabalhar menos ganhando a mesma coisa. É gostoso de falar, gostoso de ouvir, claro que é. Só que isso não é solução, é só mais um problema.

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