O lançamento do livro "Ética Imortal" marcou a noite desta terça-feira (31) na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo. A obra foi apresentada ao público durante o 10º Seminário "Caminhos Contra a Corrupção", evento organizado pelo Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) para debater mecanismos de integridade e transparência na esfera pública e privada.
A publicação é uma celebração aos dez anos de existência do INAC e apresenta um conteúdo robusto voltado ao pensamento ético brasileiro. O livro reúne dez conferências proferidas por membros da Academia Brasileira de Letras (ABL), além de quinze entrevistas exclusivas que aprofundam o debate sobre a moralidade e o combate aos desvios de conduta no país.
Segundo o presidente do INAC e procurador de justiça do Ministério Público de SP, Roberto Livianu, a corrupção se tornou preocupação central da nação.
"Desde 2015, o Datafolha apontou a corrupção como a principal angústia no Brasil. Recentemente, a pesquisa AtlasIntel mostrou que 54% dos brasileiros têm essa como sua prioridade. Não foi uma chuva de verão; o assunto se consolidou como uma preocupação recorrente", afirmou o procurador.
Livianu alertou para um cenário de estagnação e retrocesso nas esferas de poder. Para ele, o Estado brasileiro falhou em formular uma política pública anticorrupção vigorosa na última década.
"Em 2015, quando as '10 Medidas Contra a Corrupção' chegaram ao Congresso, a Câmara leu aquilo como uma afronta. Houve uma reação de vingança contra juízes e membros do Ministério Público. Fizeram a nova Lei de Abuso de Autoridade como retaliação, desmontaram a Lei de Improbidade e enfraqueceram a Ficha Limpa", explicou Livianu.
Ciência contra a Corrupção
O 10º Seminário "Caminhos Contra a Corrupção" reforça o papel do INAC na produção de conhecimento científico. Com painéis e conferências, o evento pretende transformar os debates em um e-book para consulta acadêmica e jornalística.
"Não se produz conhecimento sem pesquisar. A produção sem base científica é apenas intuitiva", destacou Livianu, ressaltando que o objetivo do instituto é perenizar o saber sobre integridade.
Ao concluir, o presidente do INAC reforçou que a ética deve ser o vetor principal na formação do voto dos brasileiros, especialmente em anos eleitorais, como forma de pressionar o Estado a retomar a pauta da transparência.
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