
Ataque israelense ao sul do Líbano
REUTERS/Mohamed Azaki
O Irã ameaça romper acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos após o ataque de Israel ao Líbano. Israel realizou nesta quarta-feira (8) seu maior ataque contra o Líbano desde o início da guerra contra o Hezbollah, lançando uma série de bombardeios aéreos sem aviso prévio sobre Beirute, a capital libanesa, e outras regiões do país, atingindo mais de cem alvos. De acordo com agências de notícias internacionais, o ataque deixou centenas de mortos e feridos.
Israel afirmou que os ataques foram “a maior ofensiva coordenada visando mais de cem centros de comando e instalações militares do Hezbollah”, acrescentando que a maior parte da infraestrutura atingida estava “no coração da população civil”. O ataque deixou mais de 200 mortos e 700 feridos.
De acordo com o presidente americano Donald Trump, o acordo não incluiu a interrupção do cessar-fogo de Israel ao Líbano. A declaração contraria a declaração do primeiro-ministro do Paquistão Shehbaz Sharif, que foi mediador do acordo, e disse que o acordo era para toda a região do Oriente Médio.
Cessar-fogo
Israel realizou ataques no sul do Líbano apesar de um cessar-fogo intermediado entre Estados Unidos e Irã, que não inclui o território libanês, segundo autoridades israelenses. O acordo prevê uma trégua de duas semanas voltada à redução das tensões entre Washington e Teerã, mas Israel afirma que continuará suas operações contra o Hezbollah no Líbano, por considerar o grupo uma ameaça direta.
O Hezbollah, aliado do Irã, indicou que suspendeu ataques contra Israel em respeito à trégua, mas alertou que a continuidade das ofensivas israelenses pode levar a uma nova escalada do conflito.
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a trégua de duas semanas “não inclui o Líbano”, enquanto o chefe das Forças Armadas disse que o país continuará a atacar “com determinação”.
Irã e Paquistão disseram que o cessar-fogo incluiria o Líbano, contrariando Israel, enquanto os Estados Unidos ainda não se pronunciaram. O Hezbollah afirmou que respeitaria a trégua caso Israel interrompesse os ataques, e o deputado Ibrahim Moussawi alertou que o grupo e o Irã retaliariam se as ofensivas continuassem.
Dedo no gatilho
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo em vigor não representa o fim da campanha militar e que o país ainda pretende atingir novos objetivos, inclusive com a possibilidade de retomada dos combates. "O cessar-fogo não é o fim, mas uma etapa no caminho para alcançar todos os nossos objetivos", disse.
Em pronunciamento na tarde desta quarta-feira, Netanyahu declarou que Israel está "pronto para voltar a lutar a qualquer momento", acrescentando que o país mantém "o dedo no gatilho".
Segundo ele, a trégua temporária de duas semanas entre Estados Unidos e Irã foi estabelecida em coordenação com Israel e ocorre em um momento em que Teerã estaria "mais fraco do que nunca", enquanto Israel estaria "mais forte do que nunca".
O premiê afirmou que os avanços recentes incluem ataques a instalações nucleares, fábricas, infraestrutura logística e capacidades de produção de mísseis do Irã, além de ações contra lideranças e estruturas de repressão do regime. "Afastamos uma ameaça existencial contra Israel e o mundo livre, abalamos as bases do regime iraniano", disse, acrescentando que, sem a ofensiva, o Irã já teria armas nucleares e milhares de mísseis.
Netanyahu também ressaltou que o Irã teria flexibilizado condições para negociações, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz sem exigências anteriores, o que, segundo ele, reflete a pressão militar sofrida por Teerã.
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