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Irã e Israel corrigem declarações de Trump

Moises Rabinovici
MOISES RABINOVICI

08/04/2025 • 15:54 • Atualizado em 08/04/2025 • 15:54

Moises Rabinovici
Donald Trump, presidente dos EUA

Donald Trump, presidente dos EUA

REUTERS/Leah Millis

Estados Unidos e Irã terão uma primeira negociação nuclear, sábado, em Omã -- “direta” entre os dois países, segundo Donald Trump, ou “indireta”, com mediador omani, para o chanceler iraniano Abbas Araghchi.

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que dizia ter só três inimigos, “Irã, Irã, Irã”, e que promete dia sim, outro também, explodir as instalações nucleares iranianas, foi usado pelo presidente Trump, na Casa Branca, para mostrar ao mundo árabe que conta com o aval israelense.

Mas nem tanto. Antes de embarcar nas Asas de Sion, o avião oficial de Israel, ele gravou um vídeo que foi exibido na mídia israelense, no qual esclarece que só apoia as negociações se elas implicarem na destruição do arsenal nuclear iraniano. Resumiu assim seu papel ao lado de Trump: “Concordamos que o Irã não terá armas nucleares”. E falou do “exemplo” líbio: “Os soldados entram, explodem as instalações, desmantelam todos os equipamentos, sob supervisão e execução dos Estados Unidos. ”

Netanyahu gosta mais da segunda opção bem ao estilo trumpiano: “Se o Irã falhar, estará em sério perigo. Eles não podem ter armas nucleares. Não é uma fórmula complicada. Se as conversas fracassarem, acho que será um dia ruim para o Irã”, declarou Trump – ele que retirou os EUA do acordo nuclear com a República Islâmica, sete anos depois de assinado em Lausanne, na Suíça, em 2015.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi não deu atenção às ameaças de Trump. “Esta é uma oportunidade, mas também um teste. A bola está no campo da América. ” Do lado dos EUA, o negociador será Steve Witkoff, já envolvido nas negociações Rússia-Ucrânia e Israel-Gaza. A palavra da Rússia veio via porta-voz do Kremlin, Dmitri S. Peskov: “Apoiamos resolver a questão do dossiê nuclear iraniano por meios políticos e diplomáticos”.

O Irã estaria a cinco dias de montar seis bombas nucleares primitivas, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). E os Estados Unidos estão reforçando suas forças no Oriente Médio, com aviões despachados para a sua base na ilha Diego Garcia, e novos porta-aviões no Mediterrâneo.

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