
Estreito de Ormuz
REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) anunciou neste sábado (11) um novo fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado e afirmou ter atingido uma embarcação que tentou cruzar a rota marítima sem autorização. A medida amplia a tensão com os Estados Unidos e volta a restringir o tráfego por uma das principais vias de escoamento de petróleo e gás do mundo.
Segundo comunicado divulgado pela imprensa estatal iraniana, nenhuma embarcação poderá atravessar o estreito "até novo aviso" enquanto persistir o que Teerã classifica como "interferência americana" na região. A situação da hidrovia tem mudado com frequência nos últimos dias, com relatos de reabertura total ou parcial seguidos de novas restrições.
O peso econômico da rota ajuda a dimensionar a crise. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. Mesmo sem uma interrupção prolongada, a incerteza sobre a passagem de navios tende a pressionar os custos de frete e seguro e a elevar o risco sobre o abastecimento global de energia.
A força iraniana afirmou inicialmente ter disparado tiros de advertência contra uma embarcação que navegava por uma rota considerada irregular e estava com os sistemas de rastreamento desligados. Depois, a agência semioficial Fars informou que o navio foi atingido por um míssil de cruzeiro após ignorar ordens para recuar.
O Irã não divulgou a identificação da embarcação, a bandeira, o tipo de carga ou a situação da tripulação, e não houve confirmação independente do ataque.
O anúncio ocorreu horas depois de o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reunir em Mascate com autoridades de Omã para discutir mecanismos de segurança para a navegação. O governo omani informou que os dois países concordaram em manter conversas técnicas e políticas, mas Teerã rejeitou a proposta de criar duas rotas separadas para a passagem de navios.
O Irã defende que o controle das rotas permaneça sob sua autoridade, em coordenação com Omã, e não seja definido por potências estrangeiras. A disputa transformou o estreito em uma das principais cartas de Teerã nas negociações com Washington, ao lado das sanções e das exportações de petróleo.
Os Estados Unidos pressionam o governo iraniano a assumir publicamente o compromisso de manter Ormuz aberto e interromper ataques contra embarcações comerciais. O presidente Donald Trump declarou encerrado o cessar-fogo entre os dois países, mas afirmou que Washington continuará negociando.
A crise se aprofundou após ataques a três navios-tanque do Catar e da Arábia Saudita nesta semana, seguidos de bombardeios americanos contra alvos no Irã e de ataques iranianos a bases dos EUA em países da região.
Com Estadão Conteúdo
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