
Ataques em Teerã
Naser Safarzadeh/WANA
A guerra no Oriente Médio chega ao 21° dia com uma escalada preocupante dos bombardeios. O Irã intensificou a retaliação, ampliando ataques contra Israel e também contra países do Golfo. Israel continua incessantemente seus bombardeios ao território iraniano; em um dos ataques, morreu o porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana.
Na madrugada de hoje, o Líbano voltou a ser fortemente bombardeado. O conflito já deixou mais de um milhão de deslocados e ao menos mil mortos — entre eles, mais de cem crianças — um retrato dramático da crise humanitária que se aprofunda a cada dia.
A escalada acontece mesmo após o ultimato do presidente Donald Trump ao Irã e das críticas dirigidas a Israel, que também atacou instalações petrolíferas na região. Para Teerã, a ameaça: a promessa de dizimar toda a estrutura energética iraniana. Nesta manhã, uma refinaria no Kuwait amanheceu em chamas.
Apesar da intensificação dos ataques, o mercado de petróleo registra leve queda. Analistas apontam um ajuste técnico após a disparada dos últimos 20 dias de guerra; ainda assim, o barril do Brent permanece na casa dos 110 dólares.
Essa trégua momentânea nos preços também foi influenciada por uma entrevista do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Depois de rumores nas redes sociais sobre sua suposta morte, ele reapareceu, mais vivo do que nunca, afirmando que o programa nuclear iraniano “está de joelhos”.
Segundo Netanyahu, o Irã já não conseguiria enriquecer urânio nem produzir mísseis balísticos, e o regime demonstraria fissuras internas — embora tenha sugerido, sem detalhar, que uma ação em solo poderia acelerar uma mudança definitiva. Ainda segundo o premiê israelense, o fim da guerra pode estar mais próximo do que muitos imaginam — uma declaração que ajudou a acalmar um pouco os mercados.
Incertezas globais
Mas por quanto tempo? A resposta ainda é incerta. Instalações petrolíferas seguem sendo atingidas, e o estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo da região, continua sob controle iraniano — um fator que mantém o mundo em alerta.
E aqui na Europa? Nesta sexta, a Espanha anunciou a redução do IVA sobre combustíveis de 21% para 10%, como medida para aliviar os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio. Líderes da União Europeia discutem o tempo todo medidas contra a alta dos preços.
Diante da crise, garantir a segurança energética se tornou uma prioridade estratégica para o bloco europeu, que busca respostas rápidas para proteger economias já pressionadas pela guerra na Ucrânia.
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