
Irã
Agência Brasil
Irã e EUA concordaram em negociar, mas o presidente Donald Trump afirmou que continua pesando opções militares até amanhã, terça-feira. Quando as pizzarias na região do Pentágono, em Washington, recebem tantos pedidos, como neste fim de semana, é sinal de que algo importante está em gestação.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi revelou que abriu um canal de comunicação com o representante especial da Casa Branca, Steve Witkoff. Mas o que pode ser negociado entre Irã e EUA? Para o fim da crise que começou em 28 de dezembro, seria a liberação de parte do dinheiro congelado por sanções econômicas, em troca do fim do regime teocrático de mais de cinco décadas, com a deposição do aiatolá Ali Khamenei, exigida por manifestantes nas ruas.
“Não estamos a fim de uma guerra, mas estamos preparados para ela — ainda mais preparados do que na guerra anterior” – disse o chanceler Araghchi referindo-se à guerra de 12 dias com Israel, com participação americana no bombardeio final às usinas nucleares, em junho passado.
Em seu Air Force One, voando de Palm Beach para Washington, o presidente Trump confirmou que o Irã quer negociar e que seus líderes lhe telefonaram no sábado. E acrescentou: “Estou sendo informado a cada hora sobre a situação no Irã e os militares estão analisando diversas opções, e logo tomaremos uma decisão. ”
Aí ocorreu esse diálogo entre um repórter e o presidente:
Repórter: “Quais as opções militares lhe foram apresentadas? ”
Trump: “O que você quer? Que eu diga exatamente onde e quando atacaremos, e de que ângulo? De onde você é? CNN.... Vocês dão notícias falsas...”
O número de manifestantes mortos está calculado em 648, nos últimos 15 dias, mas poderá subir para mais de mil. As forças de segurança comunicaram que perderam 50 de seus agentes. A presidência proclamou luto nacional de três dias, mas não apaziguou os protestos, como se pretendia. A internet continua bloqueada no Irã, e também a telefonia local.
O líder Supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, repetiu que “o governo não vai ceder” às pressões das ruas e dos EUA, e acenou com a execução de “vândalos”, ele que elevou a pena de morte a mais executada do mundo, per capta, no país de 80 milhões de habitantes.
O presidente Masoud Pezeshkian deu uma entrevista à tevê iraniana, no domingo, dizendo que está trabalhando para atender a fúria dos manifestantes sobre o estado da economia, mas pediu que “não deixem os protestos desestabilizar o país”. Outros membros do governo procuraram atribuir a origem das manifestações a provocação de Israel e dos EUA.
“Se os Estados Unidos tomarem medidas militares, tanto os territórios ocupados quanto as bases militares e rotas marítimas americanas serão nossos alvos legítimos”, ameaçou o presidente do parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf. Ele acrescentou que tanto as bases militares americanas quanto as israelenses poderiam ser alvos.
O Irã está enfraquecido e vulnerável. Perdeu toda a sua cúpula militar e os principais cientistas atômicos na guerra com Israel, em junho. Perdeu também o Hezbollah, seu forte braço armado que usava no Líbano e na Síria. Perdeu a Síria, que passou de alawita e xiita para sunita, com a deposição do ex-presidente sírio Bashar al-Assad. E não tem mais condições de armar grupos militantes no Iraque e no Iêmen.


