Resumo
Imposição de controle rígido pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz neste sábado elevou a tensão no Oriente Médio, com retomada parcial da circulação de navios e ameaça de novo fechamento caso a pressão dos Estados Unidos continue.
Manutenção do bloqueio naval americano aos portos iranianos foi classificada por Teerã como “pirataria”, levando o governo iraniano a restringir novamente o tráfego na rota, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, condicionou mudanças ao avanço das negociações e alertou para possível fim do cessar-fogo.
Negociações mediadas pelo Paquistão permanecem incertas devido ao impasse sobre o programa nuclear iraniano, e a instabilidade no estreito segue impactando o mercado global de petróleo, com preços oscilando diante do risco de novo bloqueio e escalada do conflito.
O Irã voltou a impor controle rígido sobre o Estreito de Ormuz neste sábado (18), elevando a tensão no Oriente Médio mesmo com a retomada parcial da circulação de navios na região.
A decisão ocorre após os Estados Unidos manterem o bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo autoridades militares de Teerã, a passagem voltou a ser administrada sob “controle rigoroso” das Forças Armadas e pode ser novamente fechada caso a pressão americana continue.
Apesar do endurecimento, um comboio de ao menos oito embarcações — incluindo petroleiros e navios de gás — cruzava o estreito neste sábado, na primeira movimentação significativa desde o início do conflito, há cerca de sete semanas.
Horas depois, segundo a agência Reuters, ao menos dois navios mercantes afirmam ter sido atingidos por tiros em águas próximas ao estreito. Um dos episódios envolve um petroleiro que teria sido alvo de disparos atribuídos ao Irã, pouco depois de o governo iraniano anunciar novas restrições à navegação na área.
De acordo com os relatos, duas lanchas operadas pela Guarda Revolucionária iraniana teriam aberto fogo contra a embarcação, que navegava próxima a Omã. Apesar do incidente, a tripulação informou que todos estão seguros e que o navio não sofreu danos graves.
Pressão dos EUA e risco de novo fechamento
O governo iraniano afirma que havia permitido a passagem limitada de navios durante a trégua recente, mas acusa os EUA de violações e classifica o bloqueio como “pirataria”. Diante disso, voltou a restringir o tráfego na rota, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Autoridades iranianas já indicaram que o estreito pode ser totalmente fechado caso o bloqueio americano seja mantido.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o bloqueio continuará e condicionou qualquer mudança ao avanço das negociações com o Irã. Ele também afirmou que o cessar-fogo atual pode acabar na próxima quarta-feira (22), se não houver acordo.
Negociações seguem incertas
As conversas entre os dois países, mediadas pelo Paquistão, ainda não têm confirmação de avanço imediato. Reuniões previstas em Islamabad enfrentam incertezas logísticas.
O programa nuclear iraniano segue como principal impasse. Enquanto Washington defende restrições mais duras, Teerã insiste que suas atividades têm fins civis.
Impacto global
A instabilidade no Estreito de Ormuz continua afetando o mercado internacional. A interrupção da rota fez o preço do petróleo disparar nas últimas semanas, com recuo recente diante da possibilidade de retomada parcial do tráfego.
Mesmo com navios voltando a cruzar a região, o cenário segue indefinido, com risco de novo bloqueio total e escalada do conflito.
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