
Gaza
Hatem Khaled/Reuters
Israel assumiu a culpa pela morte de 15 médicos e socorristas há um mês no bairro de Tel Sultan, em Rafah, no sul de Gaza. O vice comandante da unidade de reconhecimento da Brigada Golani foi demitido; o seu comandante, removido; e um outro comandante, censurado.
O general da reserva Yoav Har-Even, investigador escalado para apurar as 15 mortes, concluiu que ocorreram vários “erros profissionais” e violações do protocolo militar, mas não do código de ética das Forças de Defesa de Israel (FDI), e falha no relatório apresentado sobre o incidente.
Eis a narrativa oficial: a Divisão de Gaza cercou o bairro de Tel Sultan. Por volta de 2h30 da manhã, tropas de reconhecimento montaram uma emboscada ali perto, numa estrada de Rafah. Às 3h57, um veículo avistado foi identificado como sendo da polícia do Hamas. Os soldados abriram fogo, e ele parou. Dentro havia dois mortos, e um vivo, levado para interrogatório e libertado pela manhã, por não ser suspeito de terrorismo.
Mas os soldados da emboscada achavam que tinham eliminado combatentes do Hamas e se prepararam para enfrentar forças adicionais. Uma ambulância e um caminhão dos Bombeiros, e outros veículos, passaram pela estrada, sem problemas. Às 5h06, enquanto voltavam, foram identificados por operadores de drones como “veículos suspeitos”. O comboio parou a 20 metros dos soldados, dele desceram o que se constatou depois serem médicos e socorristas, que procuravam as vítimas do primeiro ataque. O comandante abriu fogo, e as tropas o seguiram, por três minutos.
O general investigador Har-Even diz que o vice comandante não conseguia distinguir que os veículos eram ambulâncias, dada à sua posição. Ao contrário do escrito no relatório inicial, as luzes das ambulâncias estavam acesas, piscando, como comprovou um vídeo do jornal The New York Times, obtido do celular de uma das 15 vítimas. Não houve execução a queima-roupa, nem ninguém algemado, antes ou depois de morto. Os corpos dos médicos e socorristas do Crescente Vermelho, das Nações Unidas e da Defesa Civil Palestina foram enterrados em vala comum, como também os veículos, depois de esmagados — “uma decisão errada”.
A conclusão: “A investigação identificou vários erros profissionais, violações de ordens e uma falha em relatar completamente o incidente”. O tiroteio foi consequência de “um mal-entendido operacional” por tropas que “acreditavam enfrentar uma ameaça tangível de forças inimigas”.
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