Band Jornalismo

Israel bombardeia Damasco em defesa dos drusos sírios

Por Redação
REDAÇÃO

02/05/2025 • 17:31 • Atualizado em 02/05/2025 • 17:31

Moises Rabinovici
Tanques do exército de Israel

Tanques do exército de Israel

REUTERS/Ronen Zvulun

O áudio de um religioso druso, insultando o profeta Maomé, provocou a fúria de muçulmanos sunitas sírios, que atacaram a minoria drusa ao sul de Damasco, matando cerca de 100 em uma semana, e levou Israel a bombardear os arredores do palácio do presidente Ahmed al-Sharaa, nesta sexta-feira, como ultimato para que ele interrompa a violência sectária.

Compartilhar

O clérigo druso denunciado como autor do insulto a Maomé se defendeu dizendo que o áudio divulgado “é falso”. Os drusos em Israel, cerca de 150 mil, protestaram paralisando estradas e marchando até a casa do primeiro-ministro Netanyahu, em Cesareia, para exigir uma rápida intervenção israelense que salve a comunidade na Síria em que têm parentes e amigos. Os drusos sírios são 600 mil; e os do Líbano, 250 mil.

O druzismo vem do século XI, do islamismo ismaelita. Parte da doutrina drusa é secreta, acessível só aos iniciados, os “uqqãi”. Os drusos não praticam os cinco pilares do Islã, não aceitam conversões, acreditam em reencarnação e esperam a volta do califa fatímida Aláqueme Biamir Alá.

Os drusos israelenses servem o exército e contam vários mortos e heróis na guerra de quase 600 dias em Gaza. Muitos soldados drusos ameaçaram atravessar a fronteira para defender sua comunidade em Sahnaya, Jaramana e Suweyda, nos arredores de Damasco. O líder druso libanês, Walid Jumblatt, aliado do Irã e do Hezbollah, rejeitou e desaconselhou o apoio à interferência de Israel.

“Esta é uma mensagem clara para o regime sírio”, disseram hoje o primeiro-ministro Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz. “Não vamos permitir o envio de forças do governo ao sul de Damasco nem ameaças à comunidade drusa”. Vários feridos drusos foram trazidos para tratamento em hospitais israelenses. Soldados reforçaram a zona tampão ampliada na fronteira israel-síria.

“É nosso dever a proteção dos drusos sírios, em nome dos irmãos drusos em Israel, leais ao Estado, e que dão imensa contribuição para a segurança israelense” — postou o ministro Katz na plataforma X. Havia um acordo na Síria, celebrado recentemente, pelo qual a comunidade drusa entregaria suas armas e faria parte de um governo multiconfessional e multiétnico, liderado por Ahmed al-Sharaa, que vem do jihadismo da Al-Qaeda. Em março, essa unidade nacional foi rompida com os ataques de forças do governo que deixaram 1.700 civis mortos, a maioria da minoria alawita, que era protegida pela família al-Assad.

O Departamento de Estado, em Washington, conclamou o governo sírio, nesta sexta-feira, a interromper a violência sectária. “A violência recente e a retórica inflamatória contra membros da comunidade drusa na Síria é repreensível e inaceitável, disse a porta-voz Tammy Bruce.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber

Tópicos relacionados