
Mapa de Gaza
Reprodução
O Hamas declara que não vai entregar suas armas e nem o poder em Gaza, mesmo que seja para a Força Internacional de Estabilização que está em formação pelos Estados Unidos, como previsto no acordo de cessar fogo do presidente Donald Trump.
Israel diz que a linha amarela, para onde recuou suas tropas em cumprimento ao acordo de cessar-fogo, “é a nova fronteira”.
Ambas as declarações contradizem o que ambos os países concordaram para interromper a guerra. O posicionamento do Hamas foi fixado por seu líder, Khaled Mashaal, em um vídeo que ele gravou para ser exibido na conferência sobre Jerusalém, organizada em Istambul, na Turquia, na semana passada
A nova posição israelense foi revelada pelo chefe do estado-maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), general Eyal Zamir, durante uma visita a Beit Hanoun e Jabalia, em Gaza, no domingo. “Não permitiremos que o Hamas se restabeleça. Controlamos grandes partes da Faixa de Gaza e nos posicionamos ao longo de linhas [estratégicas]. A Linha Amarela é uma nova linha de fronteira, uma linha defensiva e uma linha ofensiva.”
O Ministério das Relações Exteriores israelense considerou a declaração de Mashaal “uma direta contradição aos termos essenciais do plano de paz”. E acrescentou que “o Hamas está zombando” do presidente Donald Trump.
“As armas do Hamas são a honra e o orgulho da nação palestina”, também declarou Mashaal, cujo irmão, Mofid Abdel Kader Mashaal, foi libertado da prisão nos Estados Unidos, há um ano, quando cumpria sentença de 20 anos, sob a acusação de financiar o Hamas.
Mantendo-se na linha amarela, Israel fica com o controle de 53% da Faixa de Gaza, o que inclui as cidades de Rafah e Beit Hanoun, que o general Zamir visitou no domingo.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou no domingo, ao lado do visitante chanceler alemão Friedrich Merz, que Israel deverá entrar brevemente na segunda fase do plano de cessar-fogo. Para isso, porém, espera a entrega dos restos mortais do último refém mantido em Gaza pelo Hamas.
Trump disse, no Salão Oval, que espera implantar a segunda fase de seu plano de 20 pontos até antes do Natal.
A segunda fase prevê, justamente, o desarmamento do Hamas e o recuo das tropas israelenses para mais próximo da fronteira de Israel – duas ações que ambos estão prometendo não cumprir. A Força Internacional de Estabilização enfrenta problemas para sua criação, porque as tropas árabes que a incluiriam não querem ter a missão de desarmar o Hamas. E Israel rejeita que soldados turcos façam parte dela. Até agora, a Indonésia e o Azerbaijão ofereceram enviar seus soldados à Gaza.
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