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EUA e Israel negociam com países africanos reassentamento de palestinos de Gaza, diz agência

Segundo a Associated Press, dois países e uma região autônoma foram contatados pelos governos Trump e Netanyahu para que recebam os palestinos; presidente americano quer transformar Gaza na "Riviera do Oriente Médio"

WESLEY BIÃO

14/03/2025 • 15:14 • Atualizado em 14/03/2025 • 15:14

Trump e Netanyahu querem realocar palestinos de Gaza em países africanos

Trump e Netanyahu querem realocar palestinos de Gaza em países africanos

REUTERS/Leah Millis/File Photo

Resumo

Estados Unidos e Israel entraram em contato com governos de três países do Leste da África para discutir o uso de seus territórios como possível destino para o reassentamento de palestinos expulsos de Gaza sob o plano proposto pelo presidente americano Donald Trump. As informações são da Associated Press.

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Segundo a agência, autoridades contataram os governos do Sudão e a Somália, além da Somalilândia, uma região separatista do segundo país. A ação mostra que Trump e Benjamin Netanyahu estão empenhados na ideia que foi condenada e criticada pelas questões legais e morais que a envolvem.

À AP, fontes do governo americano confirmaram sob condição de anonimato os contatos com os governos somali e somalilandês, enquanto israelenses afirmam ter contatado os sudaneses. Representantes do Sudão disseram ter rejeitado as propostas dos EUA, enquanto os da Somália e da Somalilândia afirmaram não saberem de nenhum contato entre o governo americano ou israelenses com líderes locais. A Casa Branca e o gabinete de Netanyahu não quiseram se manifestar.

Os países escolhidos pelos americanos e israelenses estão entre os mais pobres do mundo. No ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que reúne dados de 193 países levando em consideração eixos como expectativa de vida, média de escolaridade e renda bruta per capta ajustada ao custo de vida, a Somália é a última colocada, com um IDH de 0,380. O Sudão aparece na posição 170, com um IDH de 0,516.

Trump levantou a questão no encontro com o primeiro-ministro israelense em fevereiro. Ele defendeu que os Estados Unidos assumissem a propriedade do território e construísse a “Riviera do Oriente Médio” no local. Egito, Jordânia outros aliados americanos no Oriente Médio alertaram que a realocação dos palestinos em outros locais poderia ameaçar a estabilidade da região.

A declaração do americano fez com que os países árabes se movimentassem e declarassem apoio a um plano proposto pelo presidente egípcio Abdel Fatah el-Sissi para a reconstrução de Gaza no valor de US$ 53 bilhões, o que permitiria que os cerca de 1,8 milhões de habitantes que ainda vivem no local permanecessem no território. Grupos de ativistas pelos Direitos Humanos afirmaram que a proposta de Trump se configura como um “potencial crime de guerra”.

Como são as regiões procuradas pelos governos dos EUA e de Israel

O Sudão fazia, até 2020, parte de uma lista do governo americano de países que financiavam ações terroristas, mas foi retirada depois do Acordo de Abraão – uma série de tratados de normalização diplomática liderados pelo governo Trump e assinados entre Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e os sudaneses.

A relação entre os africanos e os israelenses pouco avançaram devido a uma guerra civil que o país mergulhou entre o governo e o grupo paramilitar RSF, acusado de genocídio em janeiro pelo ex-presidente americano Joe Biden.

Autoridades do país disseram à AP que a gestão Trump entrou em contato com a proposta antes mesmo de assumirem o comando do Executivo americano, oferecendo apoio diplomático e assistências contra a guerrilha e para reconstrução pós-guerra, o que foi rejeitado pelo governo local.

A Somália, por sua vez, tem se mostrado cada vez mais aliada à causa palestina. Protestos pacíficos em apoio a eles é visto frequentemente pelas ruas e o país passou a ingressar recentemente a cúpula dos árabes que rejeitaram a ideia estadunidense de realocação dos moradores de Gaza.Já a Somalilândia é uma que pode recuar na ideia de receber os palestinos. A região se separou da Somália há mais de 30 anos, tem seu próprio governo, moeda e estrutura de segurança, mas não é reconhecida internacionalmente como um país independente e a Somália ainda a considera como parte de seu território.

O atual governo tem como prioridade o reconhecimento internacional. Os EUA poderiam oferecer ao local o reconhecimento como país soberano em troca da abertura de seu território para a realocação dos palestinos. Um integrante do governo disse, também em condição de anonimato, que não foram procurados e não estão negociando nada do tipo com americanos ou israelenses.

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