
Israel ataca instituição financeira do Hezbollah durante guerra envolvendo EUA e Irã.
ISRAELI MILITARY/Handout via REUTERS
Israel intensificou sua ofensiva no sul do Líbano e ampliou as operações terrestres nas últimas 24 horas, colocando sob forte pressão o cessar-fogo oficialmente em vigor desde abril. Mais de cem bombardeios atingiram alvos ligados ao Hezbollah na região sul do país.
Antes dos ataques, o Exército israelense ordenou a evacuação imediata da população. Moradores receberam orientações para deixar suas casas e seguir para o norte do rio Zahrani. Em poucos minutos, explosões tomaram conta da cidade e colunas de fumaça puderam ser vistas em vários pontos.
A escalada acontece logo depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometer ampliar a ofensiva contra o Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo Irã. Segundo ele, Israel vai aumentar os ataques e, nas palavras do premiê, “esmagar” o grupo armado.
Apesar da trégua mediada pelos Estados Unidos — que ajudaram a construir o cessar-fogo e agora tentam conter a escalada — os confrontos continuam se espalhando pelo território libanês. Os ataques já mataram 120 socorristas desde o dia 2 de março, quando começaram os bombardeios do Exército israelense.
Os bombardeios também atingiram o Vale do Bekaa, no leste do Líbano, uma região onde vivem muitos brasileiros. Em Mashghara, pelo menos onze pessoas morreram, entre elas crianças e uma mulher, segundo o Ministério da Saúde libanês.
Do outro lado, o Hezbollah afirma ter repelido uma incursão terrestre israelense usando foguetes, drones e artilharia. Enquanto isso, as negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã seguem travadas, sem perspectiva de avanço diplomático.
Desde março, mais de 3.200 pessoas morreram no Líbano. E o que se vê agora é um cessar-fogo cada vez mais frágil em uma região onde a guerra continua avançando mais rápido do que qualquer tentativa de paz.
Netanyahu não aceita nenhuma mediação que não inclua o desarmamento total do Hezbollah e, na prática, quer retirar todo o poder bélico e político da milícia xiita. Essa postura do governo israelense, além de provocar uma enorme crise humanitária no Líbano, também dificulta as negociações para um acordo duradouro de paz com o Irã.
Um dos pontos negociados por Teerã com os Estados Unidos e países do Golfo é justamente a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano. Netanyahu não quer esse acordo. Ele defende o enfraquecimento do regime dos aiatolás e tenta convencer Donald Trump a retomar os ataques na região.
Ainda não se sabe como tudo isso vai terminar. Mas, depois da devastação provocada por Israel na Faixa de Gaza, a crise humanitária no Líbano e até mesmo os ataques ao regime ditatorial do Irã têm levado o mundo a uma oposição crescente e inédita ao governo israelense, além do aumento do antissemitismo.
O premiê, que tenta, por meio das guerras, aumentar sua popularidade e escapar de escândalos políticos, começa a enfrentar cada vez mais oposição dentro de Israel.
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