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Israel mobiliza tropas para escalada em Gaza

Soldados serão enviados também para as fronteiras da Síria, Líbano e partes da Cisjordânia

Moises Rabinovici
MOISES RABINOVICI

30/04/2025 • 12:17 • Atualizado em 30/04/2025 • 12:17

Moises Rabinovici
Forças israelenses

Forças israelenses

REUTERS/Ronen Zvulun

O jornal israelense Haaretz anuncia hoje que Israel vai convocar milhares de reservistas para uma nova escalada em Gaza. Soldados serão enviados também para as fronteiras da Síria, Líbano e partes da Cisjordânia.

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A justificativa para a mobilização é a libertação de 24 reféns que ainda estariam vivos, e o resgate de 35 mortos em cativeiro, para enterro em Israel. Muitos reservistas deverão desafiar a convocação e não se apresentarão em suas bases, depois de já terem participado de três ou quatro rodadas da guerra que completa hoje 572 dias.

Hoje, 77 anos de independência, pelo calendário lunar hebraico, Israel está, literalmente, pegando fogo. Os incêndios florestais interromperam a rodovia Jerusalém-Tel Aviv e cancelaram as principais comemorações.

Os israelenses estão divididos. Manifestantes de direita atacaram uma sinagoga em que palestinos e israelenses celebravam juntos os seus mortos, na terça-feira à noite, Dia da Memória dos que caíram em guerras e atentados terroristas. A polícia interveio e efetuou algumas poucas prisões.

O presidente Isaac Herzog pediu, num discurso, o fim do ódio interno entre israelenses, aflorando com frequência nas disputas políticas. Um tumulto que se tornou comum é o confronto entre seculares que servem o exército e religiosos, dispensados do serviço militar, mas que fomentam a guerra. O ambiente político está pior ao que levou ao assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin.

Uma carta aberta de israelenses latino-americanos ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a seus ministros foi divulgada nesta quarta-feira. Lembra que “os princípios republicanos, que asseguram a existência e a soberania nacional dos judeus e os direitos das minorias étnicas e religiosas, respeitados democrática e igualmente até há pouco tempo perante a lei, são hoje intencional e criminosamente consumidos.” A guerra em Gaza é rotulada como “a mais longa e fracassada de Israel desde 1948”.

Em vários itens, a carta denuncia “a amoralidade de Netanyahu e de seus ministros pela deliberada e intencional demora em negociar a libertação dos 59 reféns (entre vivos e mortos), com o propósito de manter a coalizão de extrema direita para se perpetuar no poder”.

Na carta são denunciados o bloqueio do governo à formação de uma comissão independente para investigar o fracasso que permitiu a invasão do Hamas em 7/10/2023; as políticas de anexação e expulsão de palestinos de suas terras na Cisjordânia; a barbárie e a desumanização que ocorre em Israel após 77 anos de soberania; e exige o final da guerra, “ao qual Netanyahu se opõe por razões políticas e ideológicas.”

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