
Palestina
Isabel Infantes/Reuters
O Hamas pediu um cessar-fogo imediato de 60 dias, em troca da libertação de dez reféns vivos, em uma carta para o presidente Donald Trump, entregue ao Catar.
Nesta terça-feira, quando Trump vai se encontrar com oito líderes árabes à margem da Assembleia Geral da ONU, e deverá discursar depois do presidente Lula, a carta lhe será entregue. Foi escrita para agradá-lo: reconhece sua grande influência no Oriente Médio e o trata como o grande negociador dos acordos de Abraão, em seu primeiro mandato.
Bajulação que Trump gosta à parte, as explosões dos intensos ataques à Cidade de Gaza podiam ser ouvidas em Tel-Aviv, a 64 quilômetros. As tropas israelenses avançam, levando o perigo à liderança do Hamas e aos 20 reféns capturados há cerca de dois anos, e considerados vivos.
As negociações via Catar e Egito foram cortadas depois que Israel tentou matar a cúpula do Hamas em Doha, e então uma carta a Trump teria sido o único meio encontrado de pedir uma trégua. Além da carta, um vídeo com o refém Alon Ohel, músico que está perdendo a visão de um olho no cativeiro, chegou à família dele. Num momento, mostra-o se encontrando com outro refém, Guy Gilboa-Dalal, com quem troca algumas palavras.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está, aparentemente, irredutível. Ele reagiu ao reconhecimento de um estado Palestino por mais dez países, nesta segunda-feira, em Nova York, repetindo que “Não existirá uma Palestina”. Véspera do ano de 5.786 pelo calendário hebraico, contado a partir da criação do homem, e não do mundo, um acampamento de familiares de reféns está montado diante de sua casa, com mesa com pratos vazios, o contrário da noite do réveillon, sempre com muita comida e vinho. O Muro das Lamentações estava lotado à noite.
O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, recusado como embaixador em Brasília pelo governo brasileiro, descreveu o múltiplo reconhecimento da Palestina como um “teatro”. Entre 193 países membros da ONU, 147 já a reconheceram e outros dez se somariam nesta segunda-feira.
Neste assalto final à Gaza, chegando a dois anos de guerra, com 65 mil mortos do lado palestino, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, e cerca de mil israelenses na frente de batalhas, fora os 1.200 assassinados na invasão surpresa palestina em 7 de outubro de 2023, parece pouco provável que o governo de Netanyahu aceite uma trégua que não represente o fim da guerra, com a devolução de todos os reféns e desarmamento dos militantes.
Quase todos os líderes que reconheceram a Palestina nos últimos dias ressaltaram que não a querem com o Hamas, que não dever ter nenhuma participação no futuro estado. Parece assim que o cerco político e militar está sufocante, e não, como disseram ministros israelenses, o reconhecimento seria um prêmio para o terror palestino.
Em 83 municipalidades francesas o pedido do governo de não hastear a bandeira palestina foi solenemente ignorado. Em Londres, diante da agora embaixada Palestina, uma bandeira foi içada com comemoração e agradecimento ao primeiro-ministro Keir Starmer.
“Sempre nos lembraremos de como vocês estiveram ao nosso lado, no lado certo da história”, disse o chefe da missão palestina Husan Zomlot. Os britânicos também estiveram na origem da história, quando eram os mandatários da Palestina.
O embaixador Dany Danon não participará da sessão da ONU desta terça-feira em que Israel estará na berlinda. Ele pediu que a reunião de emergência do Conselho de Segurança fosse adiada porque, sendo ano novo judeu, não haverá nenhum participante israelense. Pedido recusado. “Lamentável”, ele reagiu.
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