
Israel
REUTERS/Corinna Kern/File Photo
Uma superpotência no mundo da espionagem, Israel está retirando cerca de 700 carros chineses usados por militares desde 2022.
O motivo é elementar: os sensores eletrônicos embutidos neles podem transmitir informações importantes para Beijing, ou provocar explosão ou incêndio por controle remoto, como o Mossad fez com os walkie talkies e pagers do Hezbollah, em setembro de 2024.
No começo deste ano, as Forças de Defesa de Israel (IDF, em inglês) proibiram a entrada de carros chineses em suas bases militares, temendo câmeras e outros sistemas coletores de informações. A maioria dos carros usados por tenentes e coronéis é o Tiggo 8 Pro, do fabricante chinês Chery.
“A legislação na China, por meio de diversas leis, instrui e obriga as empresas chinesas a compartilhar com o Estado todos os dados que estiverem disponíveis para elas”, segundo disse um pesquisador do Instituto Nacional de Segurança, Assaf Orion, ao jornal Times de Israel, que publica nesta quarta-feira uma longa reportagem sobre a potencial espionagem dos carros chineses.
Pelas ruas israelenses, além do Tiggo, circulam os carros chineses produzidos pela BYD, Geely e Xpeng, somando 34,1% de toda a frota para passageiros registrados no terceiro trimestre de 2025. Dominantes no setor de veículos elétricos, eles são considerados pelas IDF como potenciais espiões com múltiplos sensores em suas plataformas computorizadas conectadas ou não com a China.
“De um modo geral, a escala da espionagem comercial e global da China não tem precedentes na história”, afirmou o diretor do Grupo 2430, que pesquisa espiões infiltrados no setor privado nos Estados Unidos, Glenn Chafetz. “Ela possui a maior capacidade, os maiores recursos e a maior penetração comercial de qualquer país que tenha se dedicado à espionagem.”
Chafetz acrescentou ao Times de Israel: “A China é absolutamente voraz em seus esforços de coleta. Não acho que ela realmente poupe nenhum país em seu histórico de coleta. “Israel seria um alvo tão grande quanto qualquer outro.”
Os carros usados por militares podem coletar a identidade de quem os dirige, os trajetos percorridos e as conversas ao celular, além de saber onde estão os altos oficiais a qualquer momento”. Os pesquisadores ouvidos para a reportagem não consideram que Israel esteja no topo da lista dos alvos da China. Mas Taiwan, sim.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

