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Por que o reconhecimento do Estado Palestino soa como "ameaça" a Israel?

Países ao redor do mundo acenaram para a possibilidade de reconhecer a independência do Estado Palestino

Emanuele Braga
EMANUELE BRAGA

11/08/2025 • 17:37 • Atualizado em 11/08/2025 • 17:37

Netanyahu

Netanyahu

Lucas Jackson/Reuters

Resumo

Reconhecimento do Estado Palestino é apoiado por países como França, Reino Unido, Canadá e Austrália, motivados pelas ações de Israel na Faixa de Gaza, consideradas como massacre. A criação do Estado Palestino, contudo, enfrenta desafios de viabilidade, segundo análises de especialistas.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sente desconforto com o apoio internacional crescente à causa palestina, percebendo uma oposição contra Israel por parte de membros importantes do Conselho de Segurança da ONU.

O processo de independência do Estado Palestino foi iniciado em 1988 pela Organização para a Libertação da Palestina, com apoio inicial de países comunistas e, posteriormente, por diversas nações ao redor do mundo, incluindo países da América do Sul como Brasil, Argentina e Bolívia.

Países europeus, como França e Reino Unido, além de outras potências, como Canadá e Austrália, sinalizaram positivamente pelo reconhecimento do Estado Palestino como forma de “intimidação” contra Israel, que provoca fome e mortes com o massacre na Faixa de Gaza. Mas por que Israel se incomoda com a possibilidade de criação do Estado Palestino?

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De acordo com o professor de Relações Internacionais Sidney Leite, não há fundamentos para que, mesmo com o apoio de grandes potências, o Estado Palestino possa funcionar – levando em consideração a situação de “catástrofe”, segundo a ONU, em que a Faixa de Gaza se encontra.

“Do ponto de vista objetivo, nesse momento, é praticamente inviável que esse estado comece a funcionar em que bases, qual a estrutura, quais as forças, o sistema de poder”, explicou.

No entanto, o incômodo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, é perceber que os países citados acima estão “contra” Israel.

“O que incomoda Israel é o fato de Estados importantes que compõem o Conselho de Segurança da ONU, especialmente Reino Unido e França, advogarem a necessidade imperiosa de criação efetiva do Estado Palestino”, disse.

O Conselho de Segurança da ONU é um dos principais órgãos das Nações Unidas e é responsável por manter a paz e segurança internacional. Nesse sentido, ele pode decidir que os países-membros da ONU devem (ou não) cumprir.

Nesse sentido, oa países podem sofrer sanções, autorizar o uso da força e até organizar missões de paz. Entre os países permanentes, estão Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.

Países que já reconheceram o Estado Palestino

Países como França, Reino Unido e Canadá já sinalizaram positivamente para a possibilidade de reconhecer o Estado Palestino, tendo em vista o massacre realizado por Israel na Faixa de Gaza. Nesta segunda-feira (11), por exemplo, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, criticou a “catástrofe humanitária” em Gaza e também acenou pelo reconhecimento do Estado. Sendo assim, quais países já reconheceram e quais ainda faltam?

O processo de independência do Estado Palestino começou em 1988, quando a Organização para a Libertação da Palestina declarou a região como Estado independente. O apoio começou a surgir de países, na época, comunistas, como a União Soviética, atual Rússia, e China, mas também de países como a Iugoslávia e Índia, que não se enquadravam no regime comunista.

Em seguida, outras nações da Ásia Central, assim como a África do Sul, as Filipinas e a Ruanda, estabeleceram suas relações diplomáticas com a Palestina.

Na América do Sul, Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela a reconheceram como uma nação soberana nos anos 2000. O Brasil, por sua vez, o fez apenas em 2010, mas incluiu a Faixa de Gaza, Cisjordânia e tendo Jerusalém Oriental como a capital do país. Veja a lista completa.