
Carros danificados após ataque israelense na Síria
REUTERS/Ali Ahmed al-Najjar
Quando levavam três prisioneiros da Síria para Israel, às três da madrugada desta sexta-feira, os soldados israelenses foram alvos de disparos que feriram seis deles, três gravemente, e só escaparam com ajuda de drones, helicópteros e caças enviados às pressas para os socorrer. O tiroteio deixou o total de 13 mortos.
Na véspera, o presidente sírio Ahmad al-Sharaa havia marcado o primeiro aniversário de sua posse, após derrubar o ditador Bashar Al-Assad, que fugiu para a Rússia. “Viva a Síria livre e orgulhosa, de norte a sul e de oeste a leste” – ele comemorou, em seu discurso.
Em Beit Jinn, ao norte de Damasco e a sete quilômetros de Israel, não houve o que comemorar. O grupo invasor de paraquedistas israelenses penetrou na cidade encoberto pela madrugada e prendeu dois irmãos da al-Jamaa al Islamiyya, uma facção sunita da Irmandade Muçulmana.
Os irmãos foram surpreendidos enquanto dormiam. Israel alega que agiu com base em informações de sua inteligência militar, segundo as quais os dois preparavam ataques e já tinham lançado foguetes contra o território israelense. Quando estavam no jipe para voltar à fronteira, o tiroteio começou. Um sírio correu em direção à tropa e acabou prisioneiro.
Dois oficiais e um reservista, os feridos graves de Israel, foram transportados por helicópteros para hospitais em Haifa. Os israelenses não identificaram os autores dos disparos. O Ministério das Relações Exteriores sírio “denunciou a criminosa agressão por uma patrulha da ocupação israelense”, acrescentando que ela “inflama a região”. Um apelo à ONU foi feito para impedir novos ataques.
A câmera nos uniformes dos paraquedistas captou gritos em hebraico: “Terroristas...Um está pondo a cabeça para fora, à esquerda, perto do túnel! (Atenção para) a casa com luz à esquerda!” Um soldado gritou: “Cuidado com azul no azul”, a cor visível no emblema da farda dos soldados para evitar fogo amigo.
Israel mandou mensagens à Síria e se preparou contra alguma retaliação pelos 13 mortos. O jipe em que fugiam os israelenses com os prisioneiros, que encalhou e foi abandonado, acabou destruído pela força aérea.
Na rede social pró-iraniana Saberin, o presidente al-Shara é mostrado com uniforme israelense, e uma pergunta: “Será que al-Jolani (o nome do presidente quando era da Al Qaeda) e seus bandos dançarão sobre os corpos dos mortos de Beit Jinn no aniversário da queda da Síria para os grupos terroristas, ou ele declarará jihad contra os alauítas?”
Na véspera do ataque no território sírio, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse à Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento que “grupos dentro da Síria estão considerando invadir as Colinas do Golã”, ocupadas pelos israelenses desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ele também revelou que Houthis do Iêmen estão infiltrados na Síria.
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