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"Já acostumamos a viver durante a guerra", diz brasileira em Israel

Em meio à escalada entre Israel, Estados Unidos e Irã, moradora brasileira descreve rotina marcada por sirenes, alertas no celular e idas constantes ao bunker em Tel Aviv

Da redação
DA REDAÇÃO

28/02/2026 • 09:25 • Atualizado em 28/02/2026 • 09:25

Resumo

Escalada militar entre Israel, Estados Unidos e Irã provocou manhã de tensão em Tel Aviv, com sirenes, alertas no celular e deslocamentos constantes para bunkers, conforme relato da brasileira Rafaella Mizrahi.

Suspensão das aulas e incerteza sobre duração do confronto marcam o cotidiano, enquanto moradores percebem o atual conflito como mais grave e enfrentam repetidos ciclos de preparo para abrigos e tentativas de manter atividades mínimas.

Antecipação de ataques levou população a estocar suprimentos e reforçar rotinas de emergência, utilizando bunkers públicos e privados, enquanto expectativa de normalização permanece incerta diante dos alertas constantes e do clima de prontidão permanente.

Morando em Tel Aviv, a brasileira Rafaella Mizrahi descreveu uma manhã de tensão marcada por sirenes, alertas no celular e idas sucessivas ao bunker após a escalada militar envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã.

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Em entrevista à BandNews TV, Rafaella contou que foi acordada às 8h15 (horário local) por notificações de emergência enviadas pelo governo israelense aos celulares da população. Minutos depois, as sirenes começaram a tocar, obrigando moradores a buscar abrigo imediato.

“A gente acorda já preparado para correr para o bunker. Entra quando toca a sirene, espera cerca de dez minutos depois para evitar qualquer resquício e pode sair. Meia hora depois, toca de novo e a gente volta”, relatou.

Segundo ela, o dia tem sido marcado por um ciclo repetitivo de alertas e deslocamentos para áreas seguras. O sistema de defesa civil envia avisos prévios para que a população permaneça próxima dos chamados “quartos seguros” ou bunkers públicos. “Antes mesmo da sirene tocar, a gente recebe uma notificação para ficar perto do bunker”, explicou.

Aulas canceladas e incerteza

Rafaella afirmou que as aulas foram suspensas ao menos até segunda ordem e que o governo não detalhou por quanto tempo a situação pode se prolongar. “Eles dizem que pode durar alguns dias ou algumas semanas. Não tem como saber. É especulação”, disse.

A percepção entre os moradores, segundo ela, é de que o confronto atual é mais complexo. “É uma guerra muito mais difícil. Os mísseis deles são muito piores”, afirmou, referindo-se ao Irã.

Apesar da tensão, Rafaella destaca que parte da população já vive em estado de prontidão constante devido ao histórico recente de conflitos. “A gente não se acostuma, mas meio que aprende a viver durante a guerra”, comentou. Ela lembra que, em episódios anteriores, após alguns dias, parte das atividades foi retomada por necessidade.

Preparação e estoques

Nas semanas que antecederam os ataques, a expectativa de um possível confronto já mobilizava a população. “Fazia uma semana que todo dia falavam: ‘vai ser hoje’. A gente só não sabia quando”, contou.

Diante dos rumores, muitos moradores correram aos supermercados para estocar itens básicos, como água e papel higiênico. Rafaella também se preparou: separou uma bolsa com documentos, roupas e objetos essenciais para levar rapidamente ao abrigo.

Ela decidiu passar a noite na casa do namorado por uma razão prática: no prédio onde mora não há bunker próximo. “Ontem ele insistiu para eu vir. Ainda bem que eu vim”, disse.

Em Israel, há bunkers públicos e também áreas protegidas dentro de prédios residenciais, que geralmente já contam com água e suprimentos básicos. “Não tem necessidade de enlouquecer, mas todo mundo já estava se preparando”, afirmou.

Expectativa por normalização

Questionada sobre a possibilidade de retorno à rotina, Rafaella foi cautelosa. “Eu espero, do fundo do coração, que seja o mais rápido possível. Mas não tem como saber.”

Enquanto a escalada militar continua, a rotina em Tel Aviv segue condicionada ao som das sirenes e às notificações no celular — sinais de um cotidiano que, para muitos moradores, oscila entre a tentativa de normalidade e a necessidade permanente de abrigo.

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