Investigações sobre as atividades do Banco Master e de seu proprietário, Daniel Vorcaro, revelaram conexões políticas que chegam ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto.
De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), uma empresa de consultoria de propriedade do político recebeu R$ 3,5 milhões em repasses feitos pelo Banco Master e pela Reag Investimentos, instituição também ligada a Vorcaro.
Em resposta às informações, ACM Neto afirmou que os valores são referentes a serviços prestados por sua empresa de consultoria e que todos os contratos foram realizados de forma transparente. Os pagamentos, no entanto, entram no radar das autoridades que apuram o fluxo financeiro do grupo liderado por Vorcaro, alvo de investigações por fraudes bilionárias.
Quebra de sigilos e milícia privada
Enquanto as conexões políticas vêm à tona, a CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (11) a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de pessoas próximas a Daniel Vorcaro. Entre os alvos está Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, apontado como operador de um esquema para ocultar recursos e simular operações financeiras para escapar da fiscalização.
A comissão também autorizou o acesso aos dados de Luiz Philippi Mourão, conhecido como "Sicário". O homem, que trabalhava como segurança de Vorcaro e se matou recentemente na cadeia, é descrito como líder de uma espécie de milícia privada utilizada para perseguir desafetos do banqueiro. Paralelamente, o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, articula com o Supremo Tribunal Federal a autorização para tomar o depoimento de Vorcaro.
Trânsito no Banco Central
A rede de influência de Daniel Vorcaro também alcança órgãos reguladores. Um levantamento exclusivo do jornalismo da Band revela que o banqueiro esteve 62 vezes no Banco Central entre 2017 e 2025. O período de maior trânsito ocorreu sob a gestão de Roberto Campos Neto, com 24 visitas registradas.
O aumento da frequência de Vorcaro na autoridade monetária coincide com o processo de aquisição e reestruturação do antigo Banco Máxima, que deu origem ao Banco Master. Só em 2019, ano fundamental para a transição do negócio, o banqueiro esteve na sede do Banco Central em onze ocasiões. As investigações agora buscam esclarecer se esse acesso privilegiado facilitou as operações que levaram ao rombo financeiro da instituição.
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