O cenário econômico teve um suspiro de alívio nesta segunda-feira (15) após o anúncio do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e a consequente reabertura do Estreito de Ormuz. O movimento provocou uma queda imediata nas cotações do petróleo: o WTI fechou cotado a US$ 80 (R$ 406), enquanto o Brent, referência global e para a Petrobras, ficou em US$ 83 (R$ 421).
Apesar da reação positiva do mercado, a expectativa de queda rápida nos preços ao consumidor final deve ser freada por uma série de fatores estruturais. A comentarista Juliana Rosa alerta no Jornal da Band que, embora o petróleo suba de "elevador", sua queda no mercado de derivados costuma seguir o ritmo da "escada".
O petróleo teve realmente uma forte redução, mas ainda não voltaram aos valores anteriores ao conflito, porque toda a normalização demora e ainda tem pontos sensíveis a serem fechados, como o programa nuclear do Irã. --Juliana Rosa
O que esperar no curto prazo?
Setor Aéreo: A expectativa de redução mais imediata recai sobre as passagens aéreas. Como as companhias haviam repassado integralmente a alta recente do querosene de aviação, a tendência é que o barateamento do barril reflita nos custos operacionais das empresas de forma mais célere.
Combustíveis: Para o motorista comum, o cenário é de cautela. Não há previsão de alívio imediato para os preços da gasolina e do diesel nas bombas. A Petrobras mantém uma defasagem em relação aos preços internacionais, e a política de preços do governo federal continua sendo o fator determinante para garantir a estabilidade das tarifas internas.
Alimentos sob pressão: A queda no petróleo não será suficiente para conter a inflação dos alimentos. O setor continua enfrentando pressões severas causadas por problemas climáticos, como o fenômeno El Niño, que eleva os custos de fertilizantes e de logística, impedindo que a redução do petróleo se traduza em preços mais baixos nos supermercados.
Cenário de incerteza
Embora a reabertura do Estreito de Ormuz seja um passo fundamental para a normalização do fornecimento mundial de energia, o mercado segue atento a pontos sensíveis, como as negociações pendentes sobre o programa nuclear iraniano.
Para a economia brasileira, a notícia é positiva, mas insuficiente para garantir um impacto expressivo no custo de vida das famílias no curto prazo. A esperança do mercado agora se volta para a sinalização de novos cortes na taxa de juros, que, somados à estabilização do petróleo, poderiam compor um cenário mais favorável para a retomada do poder de compra.


