Resumo
A intensificação dos protestos de produtores rurais na França e na Grécia marca a reta final das negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, previsto para ser assinado neste sábado (17) no Paraguai, após 25 anos de tratativas e diante de bloqueios de estradas e manifestações contrárias na Europa.
O setor agropecuário europeu teme a entrada de produtos sul-americanos mais competitivos, enquanto o acordo é visto pelo agronegócio brasileiro como oportunidade de acesso a novos mercados e fortalecimento do país como fornecedor mundial de alimentos, gerando insatisfação e pressão política nos países europeus.
A liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o encontro com líderes da União Europeia antecedem a assinatura do tratado, que contará com chefes de Estado dos dois blocos e criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo 720 milhões de consumidores e potencialmente remodelando o fluxo comercial internacional.
A tensão entre produtores rurais do Velho Continente e seus governos atingiu o nível máximo nesta semana, dias antes da prevista oficialização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Enquanto agricultores intensificam bloqueios de estradas na França e na Grécia, líderes dos dois blocos econômicos se preparam para assinar o tratado histórico neste sábado (17), no Paraguai. As negociações, que se arrastam há 25 anos, nunca estiveram tão perto de um desfecho. A iminência da assinatura, no entanto, detonou uma nova onda de manifestações na Europa.
O setor produtivo de países como a França teme a entrada de produtos agropecuários sul-americanos, considerados muito mais competitivos em preço e escala. Para o agronegócio brasileiro, o acordo representa a abertura de novos mercados e a consolidação do país como grande fornecedor mundial de alimentos. Já para os europeus, a medida é vista como uma ameaça à subsistência da agricultura local, historicamente subsidiada e protecionista.
A reta final da diplomacia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá um papel central nas articulações finais. Antes de seguir para a cerimônia oficial, Lula tem um encontro agendado para esta sexta-feira, no Rio de Janeiro, com líderes da União Europeia. A reunião serve para alinhar os últimos detalhes e discutir os próximos passos da implementação do tratado de livre comércio.
Na sequência, o foco se volta para o Paraguai, país que detém atualmente a presidência rotativa do Mercosul. É lá que deve ocorrer a assinatura oficial no sábado (17).
O evento contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e dos chefes de Estado de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A concretização do pacto criará uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, abrangendo cerca de 720 milhões de consumidores.
O temor do agro europeu
A reação nas ruas da Europa reflete a insatisfação do campo. No sul da França, especialmente na região de Toulouse, os protestos se intensificaram após atos iniciais em Paris. Agricultores utilizam tratores para bloquear rodovias e acessos a infraestruturas críticas, exigindo que o governo francês vete o acordo. O cenário se repete na Grécia. Produtores locais recusaram o diálogo com o governo e realizaram bloqueios no entorno de aeroportos.
O argumento central dos manifestantes é que o tratado favorece desproporcionalmente os produtos do Mercosul — como carnes, soja e milho —, que chegariam às prateleiras europeias com preços imbatíveis, prejudicando a produção interna.
Crise política na França
A pressão das ruas já reverbera nos corredores do poder em Paris. A insatisfação com o avanço do acordo gerou uma crise política para o governo local. Nesta quarta-feira, partidos de oposição, tanto de esquerda quanto de direita, apresentaram moções de censura contra o gabinete do primeiro-ministro. Embora a França tenha se posicionado oficialmente contra alguns termos do tratado nas etapas anteriores, os parlamentares avaliam que o esforço do governo para barrar a assinatura foi insuficiente.
As moções de censura acabaram rejeitadas, mantendo o premiê no cargo, mas o episódio expõe a fragilidade política gerada pelo tema. Apesar dos desafios diplomáticos e da resistência interna na Europa, a assinatura do acordo é aguardada como um marco nas relações internacionais. Se confirmado, o tratado deve remodelar o fluxo de exportações e importações entre os dois lados do Atlântico, trazendo novas oportunidades para o produtor rural brasileiro.
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