Jornal da Band

Aluguel por temporada inflaciona preços imobiliários no Rio de Janeiro

Expansão de locações para turistas reduz oferta de imóveis tradicionais e inflaciona preços até na Zona Norte da capital

ÁDISON RAMOS

01/08/2026 • 21:48 • Atualizado em 01/08/2026 • 21:48

O mercado imobiliário do Rio de Janeiro registra uma forte alta nos preços de locação impulsionada pela expansão dos aluguéis por temporada voltados a turistas. Nos últimos três anos, o preço médio do aluguel na capital fluminense subiu 42,7%, enquanto a oferta de imóveis para locação tradicional sofreu uma redução de 30%. A mudança no perfil do mercado atinge tanto os bairros nobres da Zona Sul quanto localidades das Zonas Norte e Sul.

Compartilhar

A transição de contratos tradicionais para modalidades de curta temporada tem sido incentivada pelo retorno financeiro em moeda estrangeira. Segundo a análise do economista Victor Tulli, o movimento de migração dos proprietários reduz a disponibilidade para moradores locais. "Mais proprietários estão buscando colocar os imóveis para aluguel de temporada, que é um aluguel dolarizado, que rende mais que um aluguel tradicional. E por conta disso acabam tirando do aluguel tradicional", explica.

Especialistas do setor imobiliário avaliam que o cenário atual se assemelha ao período em que a cidade do Rio de Janeiro sediou grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Bairros com maiores altas e custo por metro quadrado

O impacto no valor dos aluguéis atinge diversas regiões da cidade. O levantamento de dados aponta que a maior elevação acumulada nos últimos 12 meses ocorreu no Centro, com alta de 48,8%. Em seguida, aparecem o bairro de Del Castilho, na Zona Norte, com 48,5%; Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, com 27,1%; Laranjeiras, com 24,9%; e Copacabana, com 22,7%.

O Leblon lidera o ranking do metro quadrado mais caro da capital fluminense, seguido por Ipanema. Nesses locais, o valor mensal para locar um apartamento de 60 metros quadrados ultrapassa R$ 7 mil. A elevação do custo de moradia obriga moradores a buscarem alternativas em bairros mais distantes da orla marítima.

Mudança de hábitos e custo de vida elevado

A disparada dos preços afeta o planejamento financeiro de famílias que retornam ou tentam se manter no Rio de Janeiro. Moradores relatam a necessidade de rever expectativas e mudar de bairro para ajustar o orçamento domêstico. O publicitário André Abreu Júnior e a designer Taísa Alcântara, que pagam mais de R$ 4,5 mil de aluguel e condomínio na Tijuca após morarem em São Paulo, já planejam se mudar para o Méier, na Zona Norte.

Além do valor dos imóveis, o custo de itens básicos e opções de lazer em bairros da Zona Sul acompanha a tendência de alta. Relatos de moradores indicam que garrafas de água chegam a custar R$ 8 e latas de refrigerante atingem R$ 10 em estabelecimentos locais. A produtora audiovisual Fernanda Cunha, que morava em Botafogo, precisou se afastar da praia para encontrar valores mais acessíveis em razão do fluxo contínuo de estrangeiros na cidade.