Jornal da Band

AM: Passageiros denunciam que embarcação estava lotada e em alta velocidade

Entre as vítimas fatais confirmadas estão Samila de Souza, uma criança de apenas 3 anos, e a estudante Lara Bianca, de 22 anos

HELLEN GUIMARÃES

14/02/2026 • 22:08 • Atualizado em 14/02/2026 • 22:08

Um naufrágio no Encontro das Águas, em Manaus, resultou na morte de duas pessoas e deixou outras sete desaparecidas na tarde desta sexta-feira. Sobreviventes e familiares das vítimas denunciam que a embarcação, operada pela empresa Lima de Abreu Navegações, trafegava em alta velocidade e apresentava sinais nítidos de superlotação. Entre as vítimas fatais confirmadas estão Samila de Souza, uma criança de apenas 3 anos, e a estudante Lara Bianca, de 22 anos.

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A lancha partiu do Porto de Manaus por volta das 13h com destino a Nova Olinda do Norte, transportando aproximadamente 80 passageiros. Cerca de trinta minutos após a partida, a embarcação naufragou em um dos principais pontos turísticos do Amazonas.

De acordo com relatos de quem estava a bordo, a velocidade excessiva fez com que um "banzeiro" — onda provocada por outra embarcação — invadisse a lancha com força. O movimento brusco assustou os passageiros, que correram para a parte traseira, causando o adernamento e o afundamento imediato.

Relatos de desespero e falha na segurança

Testemunhas afirmam que a embarcação não dispunha de coletes salva-vidas suficientes para todos os presentes, deixando 71 pessoas à deriva em meio ao pânico. A sobrevivente Lane da Silva de Souza descreveu o cenário como desesperador, com mães tentando salvar filhos sem sucesso. Em um caso que chamou a atenção dos socorristas, uma mãe conseguiu salvar seu bebê de apenas cinco dias de vida colocando-o dentro de um cooler até a chegada do resgate; ambos passam bem, mas o avô da criança continua desaparecido.

As buscas foram retomadas às 6h30 deste sábado por uma força-tarefa composta pelo Corpo de Bombeiros, Marinha e Defesa Civil. Pequenas embarcações que navegavam pela região foram as primeiras a prestar auxílio, lançando boias para as vítimas antes da chegada oficial das autoridades.

Piloto responde em liberdade

O condutor da lancha chegou a ser preso em flagrante na noite de sexta-feira, mas foi liberado neste sábado após o pagamento de fiança. Ele responderá pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Para Núbia Lima, parente de um dos desaparecidos, o acidente foi resultado de "falta de responsabilidade" de quem operava o transporte.

A Polícia Civil e a Marinha do Brasil instauraram inquéritos para investigar as causas técnicas do naufrágio e verificar as condições de segurança oferecidas pela empresa responsável. A Marinha deve focar na análise do excesso de peso e na conduta do piloto diante das condições do rio.