O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, reuniu-se nesta segunda-feira (23) com investigadores da Polícia Federal para alinhar os próximos passos do inquérito que envolve o Banco Master. No encontro, que é o segundo desde que o ministro assumiu a relatoria, a PF solicitou autorização para novas quebras de sigilo e apresentou um balanço detalhado das apurações realizadas até o momento.
A estratégia de Mendonça é acelerar as definições sobre o alcance do inquérito, decidindo quais frentes devem permanecer sob jurisdição do STF e quais partes podem ser remetidas para instâncias inferiores.
Na primeira reunião com o relator, ocorrida há dez dias, a Polícia Federal havia se comprometido a entregar um relatório atualizado com nomes identificados a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco.
Desdobramentos no Judiciário e no Congresso
Paralelamente às reuniões de Mendonça, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, decidiu arquivar o pedido de suspeição contra o ministro Dias Toffoli no âmbito do mesmo caso. O pedido havia sido fundamentado em um relatório da PF que apontava citações a Toffoli em mensagens extraídas do aparelho celular de Vorcaro.
No Poder Legislativo, a CPMI que investiga o escândalo no INSS aguarda o acesso aos dados sigilosos do banqueiro, medida já autorizada por Mendonça na semana passada. Entretanto, o clima entre os parlamentares é de descontentamento com o rito processual determinado pelo Judiciário. O senador Carlos Viana, presidente da comissão, criticou a decisão que tornou facultativa a presença de Vorcaro no depoimento marcado para hoje.
Para Viana, a interferência do STF prejudica o cronograma da comissão.
"Vorcaro no inquérito da PF é tratado como investigado, no nosso caso ele é testemunha. Portanto, a meu ver, a decisão do Supremo interfere e atrasa as nossas investigações", afirmou o senador.
Impasse sobre o depoimento de Vorcaro
Daniel Vorcaro desistiu de prestar depoimento nesta segunda-feira alegando riscos de hostilidade durante o deslocamento entre São Paulo e Brasília. O banqueiro ainda é esperado nesta terça-feira para falar à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, mas sua presença presencial permanece incerta.
Entre as possibilidades na mesa de negociação estão a realização da oitiva por videoconferência ou o adiamento formal para a próxima semana. A definição deve ocorrer nas próximas horas, enquanto a Polícia Federal aguarda o sinal verde de André Mendonça para aprofundar as quebras de sigilo solicitadas hoje.
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