Jornal da Band

Antifacção: Derrite apresenta versão com novas regras para bens apreendidos

Projeto, que é pauta única na Câmara, define repasse de recursos para fundos de segurança; relator aponta impasse em diálogo com o governo federal

CAIÃ MESSINA

18/11/2025 • 19:47 • Atualizado em 18/11/2025 • 19:47

O deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP) apresentou, nesta data, a sexta versão do projeto de lei conhecido como Lei Antifacção. A proposta, que estabelece novas diretrizes para o combate ao crime organizado no Brasil, tornou-se pauta única nas discussões da Câmara dos Deputados.

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O texto final é resultado de uma intensa rodada de negociações entre o relator da matéria e o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). As conversas se estenderam durante toda a tarde, culminando na elaboração desta nova versão, a sexta apresentada em um intervalo de apenas 10 dias de trabalho legislativo.

Destinação de recursos e bloqueio de bens

A principal alteração inserida no relatório busca viabilizar um acordo com a base do governo e diz respeito à destinação financeira dos bens apreendidos de organizações criminosas. O objetivo é asfixiar o poderio econômico das facções através de regras mais claras para o uso desse dinheiro.

Pelo novo texto, os recursos obtidos em operações terão destinos diferentes conforme a origem da investigação:

  • Investigações da Polícia Federal: Os valores confiscados serão integralmente destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
  • Investigações Locais (Polícia Civil): Quando a apuração for conduzida pelas polícias estaduais, os recursos serão remetidos aos respectivos fundos estaduais de segurança.

Outro ponto de destaque no projeto envolve a autonomia de órgãos de controle fiscal e financeiro. A proposta estipula que instituições como a Receita Federal e o Banco Central terão permissão para continuar a reter, apreender e confiscar bens de origem suspeita. Essa ação administrativa poderá ocorrer sem a necessidade prévia de uma decisão judicial, visando agilizar o bloqueio de capitais ilícitos.

Além das questões financeiras, o projeto de lei assegura a participação do Ministério Público em forças-tarefas criadas especificamente para investigar facções criminosas, buscando maior integração entre as instituições de justiça e segurança.

Articulação política e trâmite no Senado

A tramitação da Lei Antifacção enfrenta obstáculos na articulação com o Poder Executivo. Estava prevista para hoje uma reunião entre Guilherme Derrite e ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva, especificamente Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Gleisi Hoffmann (articulação política).

No entanto, o encontro não se concretizou. Segundo informações de parlamentares próximos ao relator, o cancelamento ocorreu após Derrite ter aguardado por duas semanas uma abertura de diálogo com o governo federal, sem que as conversas avançassem de forma satisfatória.

Após a conclusão da votação na Câmara dos Deputados, a proposta seguirá para análise no Senado Federal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já antecipou o andamento da matéria na Casa Revisora e anunciou, nesta data, que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) será o relator do projeto.

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