Jornal da Band

Ataques de cães a crianças crescem e geram alerta para riscos em casa

Internações no SUS saltaram de 949 para 1.361 em cinco anos; especialistas recomendam supervisão constante e educação dos tutores para evitar tragédias.

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

18/03/2026 • 20:14 • Atualizado em 18/03/2026 • 20:14

Pitbull

Pitbull

Divulgação

Resumo

O aumento de internações por mordidas de cães no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, levou à criação da campanha "Crianças e Pets: Convivência Segura", que alerta para a vulnerabilidade das crianças diante de animais de estimação e a importância da prevenção de acidentes.

O caso do bebê Noah, atacado pelo cão da família em Castelo (ES), mesmo sem histórico de agressividade do animal, evidencia que situações inesperadas podem gerar ferimentos graves e decisões difíceis para os tutores, como a doação do pet após o trauma.

O risco de ataques é maior em momentos de estresse, alimentação ou retirada de objetos, e especialistas recomendam que crianças sejam orientadas a respeitar o espaço dos animais, evitando atitudes que possam desencadear reações defensivas, além de destacar o perigo das infecções causadas por mordidas.

A convivência afetiva entre crianças e animais de estimação, embora benéfica para o desenvolvimento familiar, exige atenção rigorosa para evitar acidentes graves. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) aponta que o número de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) por mordidas de cães aumentou 43,4% em cinco anos. Em 2025, foram registrados 1.361 casos, contra 949 ocorrências em 2020.

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O crescimento das estatísticas motivou o lançamento da campanha "Crianças e Pets: Convivência Segura". A iniciativa busca conscientizar pais e tutores sobre a vulnerabilidade de crianças pequenas, que muitas vezes não possuem capacidade de defesa ou discernimento para identificar sinais de estresse no animal.

Ataque no Espírito Santo

Um caso recente ilustra o perigo da reação inesperada de animais domesticados. Em Castelo, na região serrana do Espírito Santo, um bebê de um ano e sete meses, chamado Noah, sofreu ferimentos graves no rosto após ser atacado pelo cão da família. O animal vivia com os tutores há oito anos e não tinha histórico de agressividade, mas avançou contra a criança quando ela abriu a porta da varanda onde ele estava.

O ferimento estendeu-se da bochecha até a orelha, exigindo 14 dias de internação hospitalar. Segundo Luana Menário, mãe de Noah, a decisão de doar o animal para um vizinho foi difícil, mas necessária devido ao trauma e ao medo de novas ocorrências. O menino segue em recuperação em casa após o atendimento especializado.

Instinto de defesa e riscos biológicos

Mesmo animais considerados dóceis podem manifestar instintos de defesa diante de situações de estresse, ciúmes ou frustração. Momentos de alimentação ou quando objetos são retirados do cão são os períodos de maior risco para ataques.

O cirurgião plástico Lincoln Graça Neto alerta que a mordida de um cão é particularmente perigosa devido à profundidade das lesões e ao alto risco de contaminação. A boca dos animais possui bactérias que podem causar infecções graves em tecidos humanos.

Orientações para uma convivência segura

Para minimizar os riscos de ataques, o adestrador Cristian Jean Baroni orienta que os pais ensinem as crianças a respeitar o espaço do animal. Colocar a mão na boca, nos olhos ou tratar o cachorro como um brinquedo de pelúcia pode assustar o pet, gerando um reflexo de defesa agressivo.