A incidência de dores nas costas, historicamente associada a faixas etárias mais avançadas, apresenta um crescimento preocupante entre adolescentes e jovens no Brasil. Dados da Sala Digital Band/Google revelam que a busca pelo termo "dor nas costas" atingiu o patamar mais alto da última década, superando termos específicos como "dor lombar", "coluna", "cervical" e "ciático".
Estatísticas do Sistema Único de Saúde (SUS) reforçam o cenário crítico: nos últimos cinco anos, os atendimentos médicos para pessoas com até 19 anos devido a problemas na coluna cresceram 72,8%. Esse índice é praticamente o dobro do registrado no total da população brasileira, que teve um aumento de 37,5% no mesmo período.
Causas e hábitos prejudiciais
O aumento dos casos está diretamente ligado ao sedentarismo e à mudança de hábitos cotidianos. Posturas inadequadas durante o uso prolongado de dispositivos eletrônicos e ao assistir televisão são apontadas como os principais vilões para a saúde da coluna juvenil.
Lorena Quirino Ribeiro, de 14 anos, relata que o hábito de deitar de qualquer maneira para mexer no celular resultou em dores que chegaram a travar seus movimentos, impedindo-a de treinar. Já Ana Clara Cabral dos Santos, de apenas 10 anos, convive com o problema desde os sete e identifica a inclinação excessiva do pescoço ao usar o smartphone como a causa do desconforto.
Prevenção e tratamento
A coluna vertebral tem a função de sustentar o corpo e permitir a movimentação, exigindo um equilíbrio entre flexibilidade e estabilidade. Segundo Raphael Marcon, chefe do grupo de coluna do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas da FMUSP, a manutenção dessa estrutura depende diretamente do fortalecimento muscular:
- Estabilidade: Músculos fortalecidos no abdômen e nas costas garantem a sustentação necessária e ajudam a reduzir a dor.
- Atividade Física: É a recomendação principal, sendo uma das poucas medidas com comprovação científica robusta para diminuir episódios de dor.
- Fisioterapia: Em clínicas especializadas, cerca de 20% dos pacientes já estão na faixa entre 10 e 18 anos. Tratamentos envolvem massagem terapêutica, analgesia e reeducação postural.
Embora a melhora clínica possa ser sentida em cerca de dez sessões de fisioterapia, especialistas alertam que o tratamento é apenas o início de uma mudança necessária no estilo de vida para evitar danos crônicos na vida adulta.
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