A Interpol mantém uma atuação estratégica no Brasil. Nos últimos dois anos, essa parceria resultou em recordes de prisões e apreensões.
Uma mansão em um condomínio fechado em Camboriú, em Santa Catarina. Atrás dos muros altos, um foragido internacional escondia mais do que a própria identidade: relógios valiosos e dinheiro em compartimentos secretos.
O homem preso é o mafioso italiano, Marco Cadeddu. Condenado em seu país por tráfico de drogas, ele veio se esconder no Brasil. A equipe da Band teve acesso aos bastidores do escritório central da Interpol, em Brasília, órgão responsável pelas buscas.
A caçada é silenciosa, estratégica e passa por 19 bancos de dados de impressões digitais a crimes financeiros, de DNA a obras de arte roubadas. No Brasil, a Interpol tem também descoberto o paradeiro de foragidos estrangeiros por meio dos esquemas de lavagem de dinheiro dos criminosos.
No ano passado, 237 foragidos da justiça brasileira presos em outros países, um recorde. Um ano antes, o país bateu uma marca histórica, a de capturas de foragidos internacionais: foram 76. Ao todo, a Interpol tem atualmente cerca de 80 mil difusões vermelhas. São mandados internacionais de prisão, compartilhados entre os 196 países membros.
O Brasil hoje possui cerca de 1600 difusões vermelhas ativas. Fazem parte da lista criminosos como: o megatraficante André de Oliveira Macedo, o André do Rap. Sonia aparecida Rossi, a Maria do Pó, foragida há quase 20 anos e integrantes da cúpula do PCC, como Décio Português e Cebola.
Quando se fala em criminosos da difusão vermelha da Interpol, muita gente imagina traficantes ou mafiosos perigosos. Mas o critério para entrar na lista vai além da gravidade dos crimes: pesa também a suspeita de fuga internacional.
As prisões de foragidos costumam acontecer em operações secretas, controle de migração, ou até em blitz de trânsito. Com apoio dos sistemas da Interpol, procurados são identificados por impressões digitais, dados financeiros ou documentos falsos.
Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, um dos chefões do PCC nas ruas foi preso, no mês passado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, quando tentava renovar uma carteira de identidade usando um nome falso.
No caso do mafioso italiano, os agentes brasileiros agiram em conjunto com a Interpol da Itália. Foram R$ 75 milhões em bens bloqueados. Um dos carros importados do preso virou viatura da Polícia Federal. A extradição de Cadeddu já foi autorizada pelo STF.
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